Quando nós, seres humanos, vivíamos há vários anos atrás no grandioso continente Africano foi quando toda a nossa filosofia da crença surgiu. Desde que os nossos ancestrais se tornaram eretos e pela primeira vez nas várias gerações puderam observar o céu estrelado com milhões de pequenos pontos brilhando no esmo sem fim até a Grécia Antiga, com as várias visões de mundo que diferentes homens tinham. Talvez a primeira vez que nós pensamos que não somos frutos da aleatoriedade e sim nascidos de alguma divindade ou criação mística foi há esses anos atrás, as tempestades, o fogo, as estrelas, eram fruto de algum ser extremamente poderoso. Não podia ser algo simplesmente jogado.

E nossas crenças existenciais foram se moldando, com diversas mitologias nascendo no seio de pequenos grupos de sedentários formando suas civilizações. Os gregos com os mitos de seus Deuses e Titãs, As civilizações egípcias com Rá e os outros deuses e é claro as outras diversas crenças mitológicas. Essas crenças surgiram do inevitável desejo de descobrir como tudo foi criado e trazendo diversos aspectos do nosso cotidiano, vida sai de um ovo, por que o mundo não poderia ter saído de um ovo?

E fomos apresentados a outras vertentes da história e da criação do mundo, em certo ponto esquecemos a mitologia tentando criar diferentes tipo de ideias como os pré-socráticos na Grécia, Tales com a crença de que a água era o grande expoente formador do universo, Pítagoras os números, Anaxímenes o ar, Empédocles os quatro elementos e outra série de pensadores, essas ideias deram início a diferentes vertentes do pensamento mítico. Também é nesse berço filosófico que nasceu diversas correntes e com o decorrer da história humana nasceram ainda mais. Hoje em dia temos milhões de crenças, O Cristianismo nutrindo suas correntes criacionistas, as vertentes não criacionistas, acima de tudo nossas crenças são reais pra nós, são maneiras de respondemos o mundo, respondemos todas as questões que nos afligem e que por centenas de anos foram tão abusadas pela humanidade.

160819-westworld-s1-blast-07-1280

Talvez o aspecto mais belo da nova série da HBO, Westworld seja conectar uma narrativa extremamente bonita de se ver a um pano de fundo difícil e complexo de se perceber, a série narra personagens em torno dessa tecnologia criada, uma realidade simulada que imita um Estados Unidos no famoso tempo western, e é nesse parque que também habita a separação dos anfitriões (Robôs similares a seres humanos habitantes do parque) e os seres humanos normais que com uma grande quantia de dinheiro visitam o parque para fazerem de tudo. Como um jogo temos nossas histórias, acompanhamos vários personagens em suas vidas diárias e repetidas e se há um aspecto coeso é a distinção da realidade e do que é simulado, algo que ficções científicas trabalham muito bem é a ideia de um mundo simulado e esses indivíduos não terem total ciência disso. Essas histórias falam justamente disso, a ideia de um mundo mentiroso criado por algum tipo de força metafísica e que nos programa para algum tipo de vida. Westworld começa de uma forma sutil e vai criando uma curva de crescimento, logo somos tragados para esse início e com seu fator mais amplo nos desafia sobre o debate das crenças.

É mais a partir do episódio quatro que somos indagados com as reflexões filosóficas do que é aquele mundo, afinal aqueles robôs podem ser assassinados, violentados, eles podem sofrer qualquer tipo de coisa, mas voltam no dia seguinte para cumprir seus papéis, como um teatro macabro, aqueles andróides são os atores e os seres humanos os roteiristas.

Afinal, nossas crenças estão realmente corretas? Um debate estrondoso criado no mesmo episódio é sobre nossas crenças beberem de programações e mentiras, isso também traga das teorias conspiratórios, mas de certa forma debatem com algo que com o decorrer do tempo vem sido cada vez mais falado, até um milionário como  Elon Musk acredita que vivemos em realidades simuladas.

11836911_1602495090019878_8478242841965882048_n-0-0

Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinta de magia. É uma frase de Arthur C. Clarke, um renomado escritor de ficção científica, qualquer tecnologia atual ou do século passado se em um passado distante seria magia. O que seríamos para nossos antepassados escravos ou indígenas? Com nossos smartphones, conectando uns aos outros e com luzes? Seríamos magos, feiticeiros ou bruxos, qualquer tecnologia atual no passado seria magia, qualquer diferença entre tempos no passado é místico. Westworld nos presenteia com alguns robôs criando religiões em torno das visões que tem dos cirurgiões que os recolhem no fim dos dias para tratarem de seus ferimentos (Se mortos por algum viajante), bebe da fonte Eram os Deuses Astronautas de Von Daniken quando a presença tecnológica e futurista a uma realidade simulada que imita o passado é divina ou mística.

O que é esse mundo do oeste que está ao redor de nós? Que tipo de crenças devemos seguir? O que realmente representa o nosso mundo? A humanidade nunca vai saber. Temos nossas vidas, momentos, desejos, amores, temos nossas mortes. A ideia de nossa vidas serem programadas por uma força maior constantemente ou desde o início da humanidade é bela e assustadora ao mesmo tempo não?