Drama sobre zumbis se esconde atrás de uma falsa fidelidade para entregar uma temporada porca e mal planejada. 

The Walking Dead season 7 poster

The Walking Dead é um fenômeno mundial como foi The Sopranos, Lost e até Friends, mas nem de longe alguma vez teve a qualidade destas citadas. Acontece que The Walking Dead é única, tem um fandom enorme e um universo rico o bastante para ser explorado por décadas na televisão e a AMC sabe muito bem disso e assim evita chegar aos gibis que inspiram a série para evitar conflito semelhante ao dos fãs dos livros de Game of Thrones contra a série da HBO.

Ao evitar o conflito com o material original a AMC abriu mão de um ritmo que as séries da Tv a cabo americana tem, são no máximo 12 episódios para contar uma história coesa e com episódios crescentes que ao final de cada temporada entregam um twist ou cliffhanger que não se torna incômodo para quem vai esperar um ano ou mais até a próxima temporada. E ao pensar nisso tudo vem aquele questionamento: The Walking Dead tem capacidade para entregar uma temporada com 16 episódios? – Não –

The Walking Dead season 7

No sofrível sétimo ano de The Walking Dead o grupo de Rick enfrenta o temível Negan, líder do nominados Salvadores que por mais de um ano foi divulgado como o maior vilão dos quadrinhos criados por Robert Kirman e que traria a guerra a Alexandria. Como leitora dos quadrinhos eu fiquei ansiosa e no episódio de abertura da temporada admirei o trabalho excepcional de Jeffrey Dean Morgan na pele de Negan, todo o service sobre a morte de Glenn e até mesmo a partida desnecessária de Abraham não me incomodaram porque eu vi potencial em tudo que foi mostrado, só que parou por ai.

Os episódios seguintes de The Walking Dead foram de uma precariedade técnica em todos os sentidos possíveis, um roteiro preguiçoso que em momento algum teve consideração pelo público que acompanha o show há anos e que as vezes não merece episódios de qualidade pois consome qualquer história rasa e sem desenvolvimento útil para a trama. Foram 15 episódios preparando terreno para uma guerra que não existiu e para mascarar esse planejamento porco foram usados trechos dos quadrinhos fora do contexto original e a sensação que fica é que Batman V Superman encontrou sua cara metade da televisão que entrega diálogos trazidos dos gibis sem nenhuma profundidade e assim se perdem em meio ao trabalho vergonhoso de seus respectivos roteiristas.

The Walking Dead season 7

A direção de The Walking Dead parece ter sido completamente trocada e sequências como a da prisão foram substituídas por momentos tão mal dirigidos que um cervo feito por computação gráfica digna de filmes trash dos anos 90 trouxe um humor mórbido para uma série que caminha como um de seus zumbis com a intenção de se alimentar de pessoas que ainda a suportam. Os personagens, como sempre, sem desenvolvimento algum protagonizando diálogos precários que parecem ter sidos retirados de penny dreadfuls dos anos 30 que eram vendidos por míseros $0,50 euros na Londres vitoriana, o amadorismo é visível e nem o excelente Negan de Jeffrey Dean Morgan apaga a vergonha que foi a temporada de The Walking Dead.

Ao ler noticias sobre a possível exibição de The Walking Dead por mais de uma década me faz questionar a sanidade mental dos executivos da AMC, de Robert Kirkman que já não faz um grande trabalho nos gibis dando atenção para a sua excelente Outcast, e do público que sobe tags no twitter todo domingo falando besteiras como “The Walking Dead é a melhor série da atualidade” quando na verdade o show está mais para um pilot mal feito de séries do Syfy.

The Walking Dead season 7

PS1: o fã de TWD vai dizer que a série sempre foi assim, mas se perguntar pra ele sobre o episódio três dessa temporada ele não vai se lembrar.

PS2: todo o drama da Carol na temporada me lembrou o motivo dela morrer tão cedo nos gibis.

PS3: qual a utilidade do Daryl na série? Deve ser só a de satisfazer fã idiota que nem ao menos sabe da não existência dele nos gibis.

Little pigs, little pigs, let me come in!