Não é de hoje que o debate entre a matéria prima e a adaptação divide o público. Afinal, o que é melhor? O filme ou o livro? O quadrinho ou a série?

De uma maneira geral, há quem defenda que adaptações devem fazer exatamente o que diz o nome: adaptar, e embora a essência de uma história deva se manter os detalhes e a forma que ela é contada talvez não precise ser iguais. Do outro lado temos alguns saudosistas que se sentem tão desrespeitados com mudanças na matéria prima que renegam com força as diferenças das adaptações. Acredito que o meio termo deva ser considerado.

Uma adaptação não precisa seguir ao pé da letra o que sua matéria prima fez, sua essência deve ser compreendida e transpassar tal para outra mídia, na maioria das vezes, exige mudanças, mas o mais importante em se ter consciência de que mudanças são necessárias e saber que a exigência de qualidade para as alterações será alta. Mudanças são bem vindas, desde que para melhor, não acham?

Robert Kirkman conseguiu sim fazer boas mudanças em The Walking Dead. Personagens como Daryl e Merle, que nos quadrinhos não tiveram destaque, puderam brilhar na TV e isso agradou até mesmo os fãs mais xiitas.

Merle e Daryl Dixon, grandes acertos

Acredito que dificilmente um autor se sinta completamente satisfeito com sua obra, sempre há detalhes que com o passar do tempo você nota que deveria fazer diferente e Kirkman teve essa oportunidade e não pensou duas vezes em aproveitá-la. Acontece que infelizmente não ficou tão bom.

Eu já disse, algumas mudanças foram extremamente bem vindas, mas a mudança principal pesou e é exatamente essa a mudança que está afastando o público da série de TV.

Quem conhece os quadrinhos de The Walking Dead talvez já tenha compreendido o que estou falando. Estou falando de ritmo.

Negan tinha tanto potencial, não é mesmo?

Frenético, The Walking Dead sempre soube balancear a ação com o drama e trazer ao leitor uma sensação de história viva mesclada ao medo da morte de seu personagem favorito ao virar a página. Não há tempo de lamentar a perda de um membro, na próxima página é necessário torcer para que o grupo vença um novo desafio e os desafios estão muito além de apenas Zumbis.

Os zumbis não são mais a ameaça principal, isso a série compreendeu perfeitamente, mas é mesmo necessário estender um drama por 3 episódios? O que a série faz em 2 horas e meia o quadrinho resolve em 4/5 páginas e de forma extremamente satisfatória.

Não me venham com a desculpa de que para a série acontecer as coisas precisam se estender. Eu compreendo muito bem as dificuldades de uma adaptação, mas se estende o que atrai ou se cria em cima dos vazios para produção de conteúdo.

O que fizeram com o pobre Carl?

Com a Panini assumindo o lançamento de The Walking Dead no Brasil, decidi reler a história e me lembrei do porquê de amar tanto esse quadrinho. Sabe bem os altos e baixos da série? Pois então, imagine que nos quadrinhos tudo que há de altos está presente e os baixos…Bom, talvez nem 10%.

Os quadrinhos são lindos

Com uma base de fãs tão grande deixando de ver a série por falta de ritmo é importante lembrá-los de uma coisa… The Walking Dead bom de verdade não está na TV.

 

 

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