Na mitologia grega o Olimpo é morada dos Deuses, é a mansão aonde os maiores se sentam em seus tronos e observam os mortais. Li um artigo no Amigos do Fórum em que foi usada a expressão “Olimpo das série de Tv” e decidi falar sobre as séries que o compõem, além de alertar sobre uma Deusa britânica que está na porta querendo entrar.

Existem três séries que vão estar sempre no Olimpo, não importa quão divergente possa ser a opinião de um seriador para outro, elas são fixas. São elas:

  • The sopranos, o Zeus das séries de Tv. Nada é maior ou melhor que Sopranos, a série é responsável por absolutamente TUDO que existe na TV como ela é hoje.
  • Breaking Bad, a filha mais devota de Sopranos. A série que conseguiu seu lugar no Olimpo buscando se inspirar (e não copiar) em tudo que Sopranos trouxe para a Tv.
  • Mad Men, se inspira no que Sopranos fez e em alguns pontos consegue melhorar o que a inspirou, Mad Men precisa ser acompanhada por qualquer fã de séries vivo.
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The Sopranos

As séries acima citadas são unanimidade para quase todos os fãs da boa TV, são exemplos que ditam a tendência do que é visto hoje na televisão, também compõem o Olimpo das séries:

  • Game of Thrones, dona do melhor episódio já produzido (Battle of the Bastards).
  • Lost, a unica série que vai ter seu final discutido a tapas até o fim dos tempos.
  • Six Feet Under, fala da vida através da morte e assim merece o Olimpo por sua originalidade.

OBS: The Wire é uma série sempre citada, porém ainda não a acompanhei. As últimas séries que citei são bem pessoais, essas posições no Olimpo são variadas.

Depois de falar sobre o Olimpo e seus atuais moradores é preciso falar sobre uma parceria entre a BBC Two e a Netflix que está a um passo de escancarar os portões da morada dos Deuses e assim o adentrar.

Programme Name: The Fall - TX: n/a - Episode: n/a (No. 5) - Embargoed for publication until: n/a - Picture Shows: DSI Stella Gibson (Gillian Anderson) and the serial killer Paul Spector (Jamie Dornan) - (C) Artists Studio - Photographer: Steffan Hill
The Fall

The Fall foi criada por Allan Cubitt e conta a história de Stella Gibson (interpretada pela Deusa Gillian Anderson), uma oficial inglesa que é enviada a Belfast para investigar uma série de assassinatos. A série tem uma temática policial que poucas vezes foi trabalhada com tanto cuidado e tanta perfeição, The Fall flerta com a investigação que narra e no silêncio trabalha seus personagens de uma maneira excepcional. A produção é luxuosa e se divide no cotidiano de Stella e o assassino que ela procura, interpretado pelo Cristian Grey dos cinemas, Jamie Dornan.

É preciso citar que Dornan é o intérprete do personagem que faz a cabeça das mulheres porque foi Paul Spector, o personagem por ele interpretado em The Fall que garantiu o papel como Sr. Grey no cinema. A produção da BBC Two que após a primeira temporada teve a parceria de distribuição acordada com a Netflix é sexy, extremamente sexy. Dornan e Anderson flertam mesmo distantes um do outro, é sexual e doentio o envolvimento dos protagonistas que os levam a melhorar suas estratégias.

Gillan Anderson é gigante, a atriz consegue já no episódio piloto mostrar que é um personagem pronta, não há uma construção de personagem quando se fala em Stella Gibson. A investigadora é ousada, bela e foge de qualquer padrão já imposto na TV. Ela não se maquia, não pinta as unhas e não se importa com o que vai vestir, ela é despojada e poderosa demais para esperar a conquista acontecer, ela é direta e paciente. Seu envolvimento com Paul é o centro da série, a forma como a personagem descobre tudo sobre a personalidade do maníaco ao observar a cena de um de seus crimes já mostra a quem assiste a série que The Fall é para a Tv o que O Silencio dos Inocentes é para o cinema.

The Fall
The Fall

Paul Spector é dono do outro lado de The Fall, bonito e simpático o personagem assim como Stella é apresentado ao público já pronto, sua personalidade doentia não é evitada e muito menos justificada na série. Ele é vaidoso, egocêntrico e não se encaixa no padrão “sociopata bonito, mas amedrontador” que geralmente é utilizado na Tv, Paul é como Ted Bundy, impossível de não se apaixonar. O personagem ainda tem sua família que é a chave da aversão a Paul, a única forma do espectador reprovar Paul é o observar em família, o personagem te destrói ao ser um pai excelente e um marido paciente. É The Fall sendo genial e buscando seu lugar no Olimpo.

E The Fall merece, ela tá batendo na porta e fazendo barulho, são 11 episódios equivalentes aos 62 de Breaking Bad. Sim, as duas temporadas da série são minúsculas, mas a carga emocional de cada episódio equivale aos fillers das demais produções que compõem o Olimpo. Em The Fall o silêncio fala, e como ele é barulhento. A falta de uma trilha sonora em diversos momentos significam muito, algo como o que acontece em The Leftovers e The Killing. O silêncio de The Fall é melancólico assim como os créditos iniciais da produção que não roupam a sua atenção na cena, é como se eles fossem parte dela. É elegante, assim como Paul ao estrangular suas vitimas e Stella ao convidar um homem para passar a noite com ela logo após o conhecer. The Fall é refinada, perfeccionista e significativa. Ela está próxima da perfeição e tem mais 6 episódios para conseguir o seu lugar junto as grandes produções, ela quer seu trono no Olimpo.