Em artigos anteriores a dor de você ser diferente e se aceitar foi um dos temas abordados para falar sobre Azul é a cor mais quente. Enquanto a dor de se aceitar é um dos pilares que sustentam a história da escritora da história (Julie Maroh), Sense8, série da Netflix criada pelas irmãs Wachowski traz a aceitação como um cimento, que ajuda na formação dos pilares dos dramas, prazeres, amores e relações existentes entre suas personagens, de forma mais abrupta ainda traz um incógnita, o encontro consigo mesmo.

Saber quem é você é uma das tarefas mais difíceis que qualquer pessoa pode ter, seres humanos morrem, acreditando que encontraram a si mesmos, mas não, presos em uma armadilha escura eles não sabem quem são, não encontraram os seus verdadeiros, coisa que é uma das reflexões mais impertinentes da narrativa da série, até que ponto nos entendemos como nós mesmos, como podemos nos encontrar?

E através de uma neo sci fi, o roteiro de Sense8 traz esses oito indivíduos conectados ao redor do mundo, só refletindo uma noção de encontro e desencontro, essas pessoas de diferentes vidas e relações começam a ter essas conexões telepáticas, encarnando sentimentos e vidas, metáfora das Wachowski não só para demonstrar a diversidade, mas pra ambientar o encontro com eles mesmos. Cada personagem sofre de um problema interno, um problema de encontro, de ter ciência do quê eles são. E essa ligação telepática e o lado fictício pode ser visto como uma metáfora para trazer uma infinidade de assuntos pessoais e como reagir diante seus encontros consigo mesmos.

A alegria de Sense8 reflete seus problemas.

Desde Will, Sun, Riley e Capheus, até Nomi, Lito, Wolfgang e Kala todos sofrem de problemas internos, Sun é um espírito indomável, presa talvez nas correntes de uma família machista e de como uma mulher  forte como ela se comporta, Capheus tem seu drama interno girando em torno de uma mãe doente, Nomi tem sua família como problema por sua condição transexual, Wolfgang vive de forma totalmente destruída por conta do crime e da presença passada de seu pai, Riley é perdida em meio aos seus desejos, pensamentos e segredos do passado, Kala sofre pelas imposições de sua família e religião e Will permanece quase “normal” até compreendemos suas narrativas do passado, até sentir na pele o que um policial antes totalmente padrão aparenta ter.

E esses problemas com o decorrer da narrativa fictícia vão se desenvolvendo de forma sublime, com a ajuda de todos, com conexões vindo e indo. Certas vezes não precisamos ser conectados com outras pessoas telepaticamente para termos isso, pessoas que se ajudam, que se tocam e que por fim resolvem esses problemas, e nos ajudam para nossos próprios encontros individuais. Esse encontro de certa forma se aprofunda até mesmo no paradigma sexual, onde diferentes sexualidades e gêneros vão se apropriando de outros e nos deparamos com todos os personagens imersos em uma jornada sexual sem padronização, sem marcações ou até mesmo significados, heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade não existem entre as mentes dos oito e isso converge para um encontro com todos eles, conhecendo o eu.

Encontre-se.

Ás vezes é difícil se encontrar, e pior, se você se encontra e for diferente é difícil se aceitar. Mas é necessário, algo que todos os seres humanos existentes precisam, e algo lindo de se ver, como Sense8 nos apresenta, parabéns Wachowskis.

Sense8 retorna com sua segunda temporada em 05 de Maio de 2017.

 

 

Os sensates.

 

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