Desde que Jon Bernthal apareceu em tela como Frank Castle em Demolidor, ficamos todos empolgados para saber mais de como o personagem poderia ser explorado dentro do universo Marvel. A resposta está em O Justiceiro, série que chega ao catálogo da Netflix nesta próxima sexta-feira (17).

Para saber se é um resultado positivo ou não, fomos convidados para assistir à todos os 13 episódios e trazer em primeira mão tudo que a nova série da Marvel em parceria com a Netflix pode oferecer. Lembrando que este artigo não é uma critica completa e sim as primeiras impressões em relação ao que foi visto.

A série pode acabar pegando alguns de surpresa com relação ao conteúdo que tem a oferecer. Se a expectativa for uma produção repleta de carnificina, sangue e gore, você vai acabar se deparando com um clima mais sentimental e familiar. Não que as cenas de violência sejam mínimas, a ação da série é muito boa, mas o foco mesmo acaba sendo sobre temas como traumas de militares depois de servirem ao seu país e o descaso do governo americano em relação a isto. A série ainda trabalha com bastante calma dos traumas familiares de Frank, progredindo episódio a episódio, deixando mais claro o que se passa com o personagem.

Frank Castle, O Justiceiro, toma um papel um pouco diferente daquele que já vimos. É claro que ele ainda pretende caçar aqueles que assassinaram sua família, mas de inicio – acreditando que sua vingança já havia sido concluída – temos um Castle ainda mais perturbado e aprendemos mais sobre sua relação com a punição de pessoas ruins. Aos poucos notamos que vingar sua família acabou se tornando apenas uma desculpa para Castle fazer o que faz e ao decorrer dos episódios acompanhamos o desenvolvimento dessa relação entre Frank e o Justiceiro. Algo interessante é que, agora como protagonista, Frank elabora planos antes de agir e isso nos coloca mais próximos de entender sua mente e o torna ainda mais interessante do que vimos em Demolidor.

Mesmo que Justiceiro não tenha sofrido tanto com ”barrigas” entre os 13 episódios, há problemas. Ao utilizar a mesma estrutura de história que as últimas séries da parceria Marvel/Netflix, notamos que existem grandes semelhanças entre os roteiros, principalmente entre os vilões – a conexão com os mocinhos, as corporações com inimigos de terno – e até mesmo funções de personagens já clichês, como o melhor amigo ajudante na ação e o seu médico particular que ajuda a todo instante. Realmente se não fosse por conta do peso familiar e a peculiar jornada de Frank Castle, o roteiro seria previsível e não muito instigante.

Embora, de certa forma familiares, os personagens secundários conseguem ser carismáticos e nos intrigam, fazendo com que passamos a querer conhecer mais sobre suas vidas e como irão resolver o problema na qual enfrentam. São nesses momentos que um elo maior entre série e público é criado, algo que faltou em outras produções, como Punho de Ferro.

Sob uma perspectiva linear de O Justiceiro, podemos dizer que a série, mesmo tendo algumas repetições de coisas já vistas nas outras produções da parceria, tenta se arriscar e busca fazer algo ainda mais adulto do que as demais ao trabalhar com temas mais profundos e não tem medo de entregar ao público tudo aquilo que o teor do personagem pode oferecer.

Muito sangue, morte, personagens secundários clichês; mas ainda assim intrigantes, traumas, relação emocional com a família e o descobrimento de um prazer por punir, a relação entre os militares pós traumas de guerra e tiros precisos são os elementos que tornam O Justiceiro atraente ao público. Porém, mesmo que tudo isso tenha sido bem trabalhado, os mais saudosistas talvez não se sintam tão a vontade com relação as decisões de personagens e as diferenças com relação aos quadrinhos.

É necessário assistir a série como um material novo, sob um olhar que busca a essência de seus personagens e não fidelidade e homenagens. Caso busque fidelidade ao material de origem, você pode se decepcionar. Já aqueles que conhecem apenas por cima a história do Justiceiro ou não são tão ligados a fidelidade, desejando apenas um bom show, podem ficar tranquilos, pois Justiceiro se consagra como uma das melhores séries da parceria Marvel/Netflix e tenta ao máximo não repetir os erros e problemas das séries anteriores.

Fiquem ligados aqui no Retalho Club. Ainda essa semana teremos vídeo sobre a série e uma crítica completa ainda mais detalhada.

Não deixem de acessar a seção especial do Justiceiro, com listas, criticas, resenhas, artigos e videos sobre o personagem.

 

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