Breaking Bad é um fenômeno sem delineamento, é poderosa, única e com toda certeza está eternizada na história das séries de TV, Better Call Saul é filha de Breaking Bad, e estranhamente é aquela típica filha diferente. Não a ovelha negra da família, mas aquela filha que de início se parece similar a você, mas que com o tempo se distingue totalmente. Produzida pela Netflix sabiamente prevendo o seu estrondoso sucesso (Por conta até de Breaking Bad) BCS trata da vida do magnífico Saul Goodman, ou James (Jimmy) McGill antes de seu período em Breaking Bad, quando sua carreira como advogado ainda estava em estado de gestação e não havia Saul Goodman, e sim James McGill, um advogado meio espalhafatoso, mas que ainda busca em fazer o certo.

Um dos aspectos mais encantadores da primeira temporada é o jogo de relações internas de Saul. Como devem ter ciência, ao término de Breaking Bad, Saul fugiu para não ser encontrado pelas autoridades e adotou um estilo de vida totalmente ghost, trabalhando em uma loja de doces, vivendo em uma casa simples… E logo no início de temporada somos apresentados a um Saul advogado, tentando vencer a vida com alguns casos. As relações internas de Saul são interessantes a se notar visto por outro personagem, Chuck, um senhor de idade meio maluco e que tem sérios problemas com eletricidade que é irmão de Saul e teme que seu irmão volte a ser o famoso “Jimmy Sabonete”, uma personalidade totalmente despretensiosa adotada por Saul em sua adolescência e juventude que chegou a causar até mesmo uma prisão. Saul agora é advogado, mas com o decorrer da série somos apresentados a vários flashbacks não lineares que mostram a jornada de Jimmy Sabonete, de James McGill, do curso de direito e que no presente a razão dele nutrir um certo receio e ódio por uma empresa de advogacia. Essa brincadeira com o tempo que Vince Gilligan faz com Better Call Saul é interessante por dar um certo clima de descobertas, somos apresentados a certo drama ou questão e somente depois que temos uma claridade daquilo, através de um flashback ou de diálogos, e algo que Vince fez com Breaking Bad e agora faz com Better Call Saul é a genialidade do esmero, o cuidado com as cenas, com a direção técnica e obviamente com as atuações.

Pôster da primeira temporada de Better Call Saul
Pôster da primeira temporada de Better Call Saul

Se você já imagina que BCS é uma cópia cagada e cuspida de Breaking Bad é hora de se surpreender, Vince Gilligan fez algo fenomenal na televisão com BB, mas como ele próprio fala BCS tem uma identidade própria. Não é uma história desesperadora, tampouco um drama aniquilador, Better Call Saul ao meu ver é uma série simplória, não no sentido negativo, mas de uma perspectiva simplista e cativante. Enquanto em BB criamos um sentimento de desespero, cuidado, talvez raiva e emoção com Walter White, criamos uma ênfase cômica imensa com Saul, e que não é Saul e sim um advogado totalmente diferente daquele que vivenciamos. Embora haja uma espécie de ganancia em James McGill, ainda não existe um Saul Goodman que trata de coisas totalmente diferentes pelo dinheiro. Embora BCS não trate o drama e o medo, obviamente há certa carga dramática como a curvatura de Chuck McGill que sofre de um problema psicológico ou da falha ascensão de James McGill que ainda é iniciante nesse cargo de advogacia e sofre com problemas financeiros, há um foco nisso, mas não é o foco total, como é em Breaking Bad e isso torna BCS extremamente única se comparada a outra obra prima.

Além desses focos em geral, Better Call Saul também é uma série de direito, é uma sucessão de casos, situações e projetos financeiros, comerciais, de leis e afins que giram em torno da carreira de James, ou seja não é uma jornada para o crime e a morte, mas sim um crescimento desse personagem em sua carreira financeira e profissional. Há certos elogios para Bob Odenkirk que em Breaking Bad já captava uma legião de fãs agora com sua série própria arrasa (Sim, arrasa.) totalmente nesse papel de protagonista, e é um ponto positivo, como outras inúmeras séries de um personagem principal só podemos nos conectar mais fortemente com a jornada de vida daquela personagem e é isso que acontece com Better Call Saul, nos puxamos tanto a James McGill e para fãs já ambientados em Breaking Bad é uma sensação de ver como James inclinou para o total Saul Goodman. Entre os aspectos de trama, de roteiro, de direção e da parte técnica que Gilligan não economiza, BCS também é bela por sua fotografia, como BB era. É totalmente diferente, sem toda a pragmatização do deserto e todas as armas e sangues, mas dá um enfoque grande a pequenos detalhes curtos, como uma gravata, uma placa de carro, e tudo isso também é notado nas pequenas aberturas modificatórias que dão ênfase de uma Albuquerque totalmente dos anos 2002.

Better Call Saul não é como Breaking Bad, isso é totalmente notado. Não tenta mostrar toda o clima tenso que BB tenta expressar ou uma jornada para morte, mas é simples, cômica, captante e extremamente bem feita. Não é somente para fãs de Breaking Bad, e sim para grande parte do público que aprecia uma boa série oferecida pela maravilhosa Netflix. E como também não é só para o público em geral, como seria interessante para os fãs se depararem com as aparições de velhos amigos, não?

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