Título: Origens: Catorze Bilhões de Anos de Evolução Cósmica

Autor: Neil deGrasse Tyson e Donald Goldsmith

Editora: Planeta

Sinopse: Em “Origens” – 14 bilhões de anos de evolução cósmica”, os autores traçam o roteiro de uma ampla jornada científica aos aspectos macro e micro do universo. Neil deGrasse Tyson e Donald Goldsmith nos conduzem tanto pelo surgimento das galáxias e da estrutura cósmica e pelo nascimento das estrelas e dos planetas quanto ao quase infinitamente microscópico começo da vida, nos ambientes da microbiologia.
Iniciando com o Big Bang, passando pelo início da vida na terra e a busca da vida extraterrestre, os autores avançam até a primeira imagem do nascimento de uma galáxia e seguem até a exploração de Marte pela sonda Spirit, sem deixar de fora eventos como a descoberta de água em uma das luas de Júpiter.

No primeiro ano do ensino médio, quando nos deparamos com a matéria de filosofia muitas vezes somos surpreendidos com uma incrível pergunta que sempre vai tomar conta de qualquer ser humano. Como viemos parar aqui? E esse campo do conhecimento de certa forma é a mãe de todas as maneiras que buscamos encontrar respostas, lá dentro habita uma debate a cerca da mitologia, de religião, de ciência e de descoberta, da temível solução de onde nós estamos, da razão de nós estarmos aqui e quem ou o quê pode ter nos criado.

E é um campo de debate extremamente prolongado e longo, algo que talvez nunca atinja seu fim. E isso é bom, diferentes visões que vão contribuindo para uma carga histórica, uma carga que forma um terreno para a criação de mais mitos, mais religiões, lendas e crenças, além do avanço da filosofia, do início da descoberta científica, o parto de um milhão de maneiras de entender o universo e a humanidade. Essa carga formou o que temos hoje, o catolicismo, o protestantismo, islamismo, ateísmo e várias outras religiões, crenças, opiniões, ideias e concepções, tudo isso para responder essa pergunta, que nasceu há centenas de milhares de anos atrás e até hoje perdura.

Em 2001: Uma Odisséia no Espaço habita uma cena do tipo, quando o primeiro homem primata, motivado pela presença extraterrena formulando um início de um raciocínio, agarra um osso velho e nota que como aquilo fortalece sua mão, choca o objeto contra o outro osso e minutos depois dezenas de antas vão caindo, o primeiro homem a descobrir a tecnologia finalmente evolui, e essa cena conversa demais com Cosmos: Uma Odisséia no Espaço Tempo (Também apresentada por Neil deGrasse Tyson) que sob a narração do nosso ilustre autor, na África, há centenas de anos uma espécie antiga se erguia, levantando suas costas e pela primeira vez observava o céu estrelado, que há muitos anos atrás era um cinturão colorido, cheio de vida, e se perguntava, como nós, perguntamos hoje.

Em meio à tantas maneiras de encarar e sentir o universo, Neil deGrasse Tyson, astrofísico, um dos maiores divulgadores científicos do século XXI e uma figura renomada no meio acadêmico nos presenteia Origens, ao lado de Donald Goldsmith, outro grande astrofísico, porém não reconhecido nos mostram uma visão diferente de encarar o nascimento, responder aquela velha pergunta que assola nossas mentes. Catorze bilhões de anos de evolução cósmica.

Não importa o campo em que você esteja, ninguém duvida de que estes tempos são auspiciosos para aprender o que há de novo no cosmos. Vamos então prosseguir em nossa aventura de buscar as origens cósmicas, agindo
como detetives que deduzem os fatos do crime a partir da evidência deixada
para trás. Convidamos você a participar conosco dessa procura de pistas
cósmicas – e dos meios de interpretá-las – para que juntos possamos revelar a
história de como parte do universo se transformou em nós mesmos.

E aquela nossa velha pergunta? De onde tudo vem, o que nós somos, a razão disso se formar…
Tudo se inicia com a Parte I de Origens, intitulada de “A Origem do Universo” que como o título já diz, narra o berço de tudo que conhecemos, como toda a matéria, como tudo que era conhecido estava concentrado em um pequeno lugar, há 14 bilhões de anos atrás, e de certa forma Neil diferente da série de televisão, nos dá uma amplitude literária muito crua e realista, descrevendo de forma detalhista cada fenômeno que sucede o outro, cada momento, instante, hipótese e comprovação, de como aquilo surgiu, se formou e por fim deu consequência para o fenômeno seguinte, em um início grotesco, contado de forma grandiosa, a Parte II chega de forma mais morna, “A Origem das Galáxias e da Estrutura Cósmica” habita um tempo calmo do nosso universo, quando as primeiras fagulhas e estruturas cósmicas surgiam da imensidão escura, é nesse ponto que a narrativa de Neil se encontra ao lado da sua série de TV ou até mesmo de seu outro livro (publicado pela Editora Planeta, Morte no Buraco Negro) contando a história de homens que foram responsáveis pela invenção do telescópio (Foco em Edwin Hubble) e através dessa narrativa pessoal desvendar os segredos desse nosso endereço cósmico, de forma sublime, nossa visão se amplia e ao mesmo tempo se diminui, quando somos apresentados de toda a vastidão universal, como se todo o universo fosse esse grande tapete escuro, e nós estarmos aqui hoje é um convite a nos sentirmos importantes, incríveis, e em seguida diminutos, um único planeta, na ponta de uma única galáxia, entre bilhões de outras, que talvez esteja em um único universo, entre bilhões deles.

E toda essa jornada originária, de desvendar o nosso início (e talvez nosso fim) se aprofunda quando Tyson invade nossas mentes com a Parte III e a Parte IV, nos contando A Origem das Estrelas e a Origem dos Planetas, temas que de certa forma conversam bastante, na Parte III, nos aprofundamos mais no nosso endereço cósmico e de certa forma reflete muito sobre o contexto histórico humano, há anos atrás acreditavam que a Terra era o único planeta existente, que o Sol girava em torno de nós, que a Lua seguia o mesmo movimento e que talvez seu formato fosse liso, plano. Mesmo assim, a ciência persistiu, desvendando cada segredo, buscando cada prova e evidência deixada para trás, enfim trazendo as visões diferenciadas do que era estabelecido, o nosso endereço cósmico é ainda mais complexo visto por uma perspectiva pessoal e ao mesmo tempo analítica, coisa que Tyson faz com maestria, buscando a humanidade em cada galáxia, estrutura, planeta e estrela. Não são somente astros, peças brilhantes, conjuntos de gases e matéria em uma longa cachoeira universal. Somos nós, estamos lá. Eles são feitos de nós, e nós, somos feitos deles.

E de repente voltamos para aquela mesma pergunta, qual é a nossa origem? Se soubemos como o universo se forma, suas estrelas, planetas, galáxias… E nós? Onde chegamos nisso?

E na Parte V, A Origem da Vida, finalmente descobrirmos nosso nascimento, nossa razão. Descobrir. Simples assim.

No exato momento é manhã, é um dia ensolarado aqui, e eu escrevo em um velho notebook, com uma lateral meio acabada e o estomago roncando, com toda certeza depois de terminar esse texto vou me alimentar, conversar, mais um dia se passará, talvez eu não dure o dia todo, talvez viva 10, 20, 50 anos, não importa, mas eu ainda estou existindo. E existo por conta de milhões de vidas, movimentos, estruturas e momentos que ocorreram no passado. É assim que a Origem da Vida se formou, desde o nosso nascimento verídico, em minúsculas formações que Tyson se aprofunda tão bem, até grandes momentos históricos, até meus antepassados, até meus pais e aqui estou, e isso perdura, no passado, presente e futuro. Toda a humanidade sentiu um desejo ínfimo de descobrir, em sua última sessão, Origens responde aquela velha pergunta, não de forma exata, a ciência admite isso, muitas coisas podem ser descobertas, muitas coisas podem mudar, ela não é ignorante ao responder que tem todas as respostas, mas nos dá uma visão diferente, uma ideia diferente. Ideia a qual é reflexão, que transparece o que Tyson quer dizer, a vida nunca se originou somente no passado, ainda se origina, renova, recria, tudo em prol da descoberta, de progressão.

Todos os dias a humanidade se recria, se acaba, se renova. É um ciclo interminável, sem fim, originado e renovado há milhões de anos atrás, desde a grande expansão, o bombardeio de meteoros, a fusão de gases, a criação de elementos, a ligação de moléculas, a morte de espécies. Tudo isso originou o nosso momento hoje, e nós podemos dar origem a um momento melhor no futuro.

Obrigado, Neil e Donald. Obrigado aos nossos antigos, Obrigado ao Cosmos.

E lembrando-se de uma antiga frase, que ao mesmo tempo sintetiza de como fazemos parte do cosmos e como o cosmos faz parte de nós, em poucas palavras responde todas as nossas dúvidas, medos, anseios e desejos. São renovados.

Somos Poeira das Estrelas.

 


 

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