Quinto ano do drama sobre as detentas de Litchfield é maduro, mas não abandona a essência principal da série. 

Orange Is The New Black season 5 poster

Oz foi uma série exibida pela HBO de 1997 a 2003, a proposta do cultuado drama era mostrar com olhares pessimistas o dia a dia na prisão de Oswald. Em Oz brigas étnicas e religiosas foram pilares em uma história que nunca enganou seu espectador com prováveis finais felizes. Orange Is The New Black fez em seu quinto ano uma temporada como as de Oz, mas sem perder seu caráter descontraído que diverte e engana quem ainda acredita nos improváveis finais felizes de Litchfield.

Daya (Dascha Polanco) efetuou o disparo que soou como um grito de liberdade em Litchfield e uma tensa e significativa rebelião teve inicio, as 72 horas seguintes foram divididas em 13 episódios que continuaram a reforçar a mensagem que Jenji Kohan passou na temporada passada: Orange Is The New Black é uma série cruel.

Orange Is The New Black Season 5

A morte de Poussey (Samira Wiley) ainda era o assunto da prisão que mesmo dividida em grupos partilha a mesma dor, Poussey se tornou o mártir de tudo que aconteceu nas horas que foram detalhadas na temporada. Taystee (Danielle Brooks) por todo o tempo agiu por emoção e é sua responsabilidade tudo que aconteceu nos momentos finais da temporada que não foi tão emocional como a anterior, mas foi mais significativa.

Criticar o sistema prisional privado sob o qual se encontra Litchfield, lembrar o espectador das torturas a quais as detentas são submetidas e mostrar que existe humanidade em qualquer lugar que seja foi o principal encargo do quinto ano de OITNB. A série adotou uma narrativa mais madura que fala com o público sem dar tempo a fillers, isso diferenciou o quinto ano do drama dos demais, mas nem por isso a Orange perdeu sua descontração, pelo contrário, através de personagens como Maritza (Diane Guerrero) e Flaca (Jackie Cruz) a produção da Netflix mostra que até nos piores momentos é possível se divertir.

Orange Is The New Black Season 5

Sempre com uma rica narrativa a série enriquece suas personagens com flashbacks menores se comparados com os das outras temporadas, no quinto ano de Orange é importante o que está acontecendo no presente. Piper (Taylor Schilling) e Alex (Laura Prepon) abandonam o centro do show e Litchfield, como um todo, se transforma na protagonista dessa que é a série mais Netflix que o serviço de streaming tem. Orange continua a falar sobre religião, racismo, homossexualidade, transtornos mentais, misoginia e todos os assuntos que são tabus na televisão sem precisar depender deles. A crítica está presente, a representatividade também, mas a série não é sobre isso.

Sabendo divertir no momento certo e assustar quando necessário o embate entre detentas de Litchfield contra o Estado é a prova de que Orange Is The New Black merece o lugar que ocupa no serviço que a distribui. O primeiro grande sucesso da Netflix não está desgastado e pode entregar muito mais.

Orange Is The New Black Season 5

PS: a temporada foi da Red (Kate Mulgrew), uma das personagens mais bem trabalhadas da temporada e da série. Uma indicação ao Emmy para Kate Mulgrew não seria exagero algum, chega de Uzo Aduba que entregou mais do mesmo com sua Crazy Eyes.

PS2: sensacional o episódio N°10: pesado, dramático e real.

PS3: Como as coadjuvantes de OITNB são excelentes, a série consegue enriquecer todos os seus núcleos como poucas conseguem.

PS4: Laura Prepon falando “vauseman” ESSE MOMENTO É MEU.

PS5: Morello (Yael Stone) foi a mais prejudicada com a rebelião, a personagem não funcionou na temporada.

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Que venha logo 2018!

 

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