Em julho de 2016, a Apple assina uma patente que visa em controle infravermelho de seus celulares. Será que controle é a palavra correta? A tecnologia nasceu desde os seres humanos primevos, quando o primeiro homem segurou algo e dobrou-se à natureza ao seu redor; de nômades para sedentários. Agora com o salto da agricultura, a humanidade caminharia para uma progressão tecnológica imensamente grandiosa. No seu último século de existência tivemos um avanço grotesco se comparado a seus anos anteriores e é óbvio que está vinculado com os conflitos humanos que surgem, a necessidade de progredir se comparada a outa nação em guerra é gigantesca e a tecnologia e a ciência do último século nasceram de milhões de mortos nos campos de batalha. A Guerra Fria foi uma corrida de duas crianças, cada uma querendo ser melhor que a outra, com brinquedos aqui e ali.

E hoje vivemos com tecnologias imensamente avançadas, é notável você perceber que talvez no século passado sua comunicação ou momento não seja tão rápidos como hoje, o envio de uma carta para seus familiares no outro lado do cada país seria longo e cansativo, hoje com dois toques podemos tudo. Tudo de certa forma ficou mais fácil, desde o contato até casos importantíssimos de segurança como o aviso de determinado caso por meio de celular e uma busca pela verdade.

É nas redes sociais que todos os dias temos uma verdade mais  crua em mãos, é óbvio que há mentira, mas entre blogs, posts e comentários podemos perceber a realidade de certos lugares, o que realmente está acontecendo em determinado movimento e acima de tudo, quem está em cada lugar, quem é quem. Black Mirror tratou de nossas vidas secretas em Cale a Boca e Dance (S03x03), das engrenagens cibernéticas que levamos entre as redes virtuais… E Odiados pela Nação fala das nossas vidas secretas e além disso, dos julgamentos pré entendidos, do ódio da internet. Da violência que existe nela.

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Essa notícia da Apple no tempo preocupou muitas pessoas, será que estaríamos encaminhando para uma distopia? O controle é algo inevitável, afinal hoje em dia fazemos de tudo não? Um homem sendo espancado em rua? Grave. Talvez nem tenha uma razão fixa como descobrir os agressores, mas de puro sadismo virtual. Um cão morto, um estuprador ou os dados de um alguém que cometeu um crime virtual, como explanar fotos íntimas ou tratar alguém de forma ruim.

Estamos em meio a loucura eterna do contato, como Perdedor (S03x01) mostra muito bem a tecnologia nos tragou de uma forma imensa, e como nós parecemos para os outros é imensamente importante, desde os comentários até as fotos que postamos. Um debate que tomou conta quando a Apple anunciou essa medida fora os dos shows e meios culturais (Teatros, Cinema) afinal de que adianta todas as semanas fomos a esses locais, mas não aproveitarmos? É coisa de cada um, autonomia própria, mas é um vício social, Odiados Pela Nação foca muito bem no ponto negativo e positivo desse controle que estão tomando de todos nós. Desligar uma câmera que grava um filme no cinema, é correto ou não? Desligar todos os celulares em meio a uma visita na Casa Branca ou a um Museu, certo ou não? E acabar com todos os meios de comunicação em meio a manifestações e protestos, é certo ou não?

É inegável que vão nos controlar, chegamos a esse ponto, do controle. Esse controle tem lados positivos? Óbvio, teremos mais praticidade, tomaremos mais cuidado, para que pessoas não sejam assassinadas por estupidez humana, mas é daí que nasce o ódio, o controle opressivo, a maior arma estatal. Afinal o Grande Irmão está vigiando a todos nós.

“Mulher espancada após boatos em rede social morre em Guarujá”. É dessa forma que esse tipo de notícia cai para todos nós. Uma simples dona de casa, vítima de uma foto postada em meio a internet e com a alegação de que a mesma praticava magia negra com crianças, foi amarrada, espancada e morta por moradores local. É nesse tipo de controle que precisamos, é nesses casos que necessitamos diariamente. Afinal a internet é um lugar de total desordem, não? Odiados Pela Nação narra uma história contada ao ponto de vista de uma detetive policial sobre um acontecimento que não se fecha por completo de imediato, e somos apresentados o seu ápice logo no fim do episódio. O caso narrava o início de uma tecnologia usada pelo governo de abelhas robóticas que serviriam como uma mediação ambiental em relação com os casos de mortes que andavam acontecendo.

Uma jornalista fizera um texto horrendo sobre uma cadeirante heroína e fora tratada como um lixo, expurgada, xingada, humilhada. E então ela é morta. Em seguida o cantor que menosprezara um garotinho que era seu fã e assim vai, é pela hashtag de #Deathto que os internautas servem como juízes, se um alguém fez algo errado ele é automaticamente alvo de milhões de pessoas que através das redes sociais e de uma hashtag proclamam se aquele alguém merece morrer ou não. O episódio então se desenrola através dessas duas sinapses e volta a debater os temas falados antes.

Pessoas estão morrendo por essas tecnologias atuais, todos os internautas conectados se transformaram em verdadeiros carrascos, que julgam e propagam o ódio todos os dias. E ao mesmo tempo surge uma esfera oculta de controle, essa forma de controle é necessária de forma tão abordada e profunda? O episódio é tragado por todo esse envolvimento com nossas redes sociais, com todo o ódio que ás vezes nem levamos em conta que propagamos.

A internet é palco disso, vídeos de ladrões, assassinos, os famosos “bandidos”. Vídeos dessas pessoas  sendo violados, expurgados, machucados. É de certa forma uma arena da Roma Antiga onde a violência excessiva e sanguinária é um deleite para os cidadãos. Todos os dias julgamos essas pessoas, ávidos por mais violência ou suas mortes, proclamamos ódio diariamente desde a um alguém perdido como um fora da lei ou a um youtuber, a uma tribo urbana ou a um estilo de vida. Todos os dias apostamos na morte de alguém, todos os dias nos tornamos carrascos.

 

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