O Emmy é o Oscar da televisão. Não que um prêmio determine totalmente a qualidade de uma série, mas é bastante comum acompanharmos quando se há uma indicação de série envolver um título sobre quantos prêmios tal série recebeu, prêmios importantes, como o Emmy. Breaking Bad, Os Sopranos, Lost e até mesmo a atual Game of Thrones são séries de peso e todas são recheadas de premiações do Emmy Awards. A cerimônia desse ano trará os melhores da televisão desde Junho de 2016 até Maio de 2017 e acontecerá no dia 17 de Setembro com a apresentação de Sthephen Colbert, mas a pergunta é, o que teremos de bom nesse Emmy?

Obviamente é uma tarefa árdua detalhar todas as categorias e coisinhas pequenas de uma premiação que engloba mais de 100 indicações, então vamos nos privar ao que realmente importa, as categorias de ouro.

Começando pela categoria de Melhor Atriz, que carrega figuras de peso para a estatueta. Mas vamos falar de três figuras que realmente carregam um peso maior ainda e são as mais cotadas para a vitória: Claire Foy em The Crown, Evan Rachel Wood por Westworld e Elizabeth Moss em The Handmaid’s Tale.

Elizabeth Moss é uma veterana, uma atriz de peso que por um bom tempo foi reconhecida por Mad Men, seu retorno como protagonista na série produzida pela Hulu foi um grande baque no ano de 2017, The Handmaid’s Tale é uma das séries mais faladas no ano e conseguiu uma boa legião de fãs durante esse curto período, mas vamos lá, é inegável admitir o talento grotesco de Moss ao encarnar uma personagem dramática, difícil e cheia de sinapses realistas. Ao lado de Moss vemos Evan Rachel Wood, a protagonista da série pop Westworld que também foi um grande sucesso no ano passado, claro, sua personagem Dolores não é tão venerada por grande maioria dos fãs, mas ainda sim é um personagem difícil, um robô cheio de dramas, conflitos e emoções, muito difícil de se captar, mas que foi feito com maestria. Por fim, Claire Foy é um doce de atriz e incorpora A Rainha Elizabeth II também de forma estonteante, na série The Crown (vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz e Melhor Série) a atriz faz um trabalho fantástico em não ter momentos tão “chocantes” como alguns gostam em atuações e de forma definida, contida e especial a atriz conduz a personagem histórica e ainda viva com um talento espetacular. Independente da vencedora, vai ter justiça.

Evan Rachel Wood em Westworld

E novamente, na categoria de Melhor Ator parece que três figuras se destacam tanto por renome e por carregarem séries cultuadas na cultura nerd. Kevin Spacey por House of Cards, Anthony Hopkins por Westworld e Bob Odenkirk por Better Call Saul.

Bob nunca venceu um Emmy pelo derivado de Breaking Bad, e merece, como merece! Um personagem cômico, dramático e com múltiplas faces. Do canastrão sem vergonha de Breaking Bad para um canastrão sem vergonha e dramático de Better Call Saul, Odenkirk faz um trabalho exímio em modificar e moldar suas personalidades, diferenças e modos de lidar com as situações, e com toda força um peso de nome no Emmy, ao lado de Bob está Kevin Spacey que ainda nada desesperado pelo rio chamado House of Cards, na tentativa de terminar a série com pelo menos um Emmy. Óbvio, o ator é uma força da natureza e que trata com um carisma sádico o político Frank Underwood, com a quebra da quarta parede é fácil de se conectar com o inescrupuloso protagonista e Kevin claramente faz um de seus melhores trabalhos, mas como muitos vêm apontando, o último ano de HOC é caricato e o próprio Kevin despenca nisso. Por fim, correndo pelo canto há um veterano que finalmente retorna para as premiações. Vencedor de Oscar, Anthony Hopkins é uma tempestade em Westworld. O Dr. Ford, personagem de Hopkins é provavelmente um dos deleites da série, Hopkins faz um trabalho gigantesco e com um tempo até mesmo reduzido, de misterioso para sádico, vilanesco, gentil, amável, engraçado… Tudo isso em uma cena de 18 segundos, talvez, a atuação de Hopkins é magistral e termina os três mais cotados para a vitória de forma única. E olha, não vou negar: torço muito para Hopkins, vê-lo ganhar um Emmy ao vivo talvez seja uma das experiências mais gratificantes das premiações, ainda mais com um trabalho tão incrível como Westworld.

O mestre Hopkins em Westworld

E por fim na grande categoria da noite nos deparamos com um ano doce da televisão, iniciando por Better Call Saul que deu um pulo gigantesco em relação ao seu ano anterior, a narrativa de Saul Goodman cresce cada vez mais e tem um brilhantismo sem escalas, direção, roteiro, fotografia, é o filho que sai da casa da mãe famosa chamada Breaking Bad e cresce bem, nutrindo seu sucesso próprio. Junto com House of Cards são as duas séries que já estabeleceram patamares de sucesso notáveis, obviamente a série de Frank Underwood não poderia ficar de fora, embora HOC ainda sofra do problema de não marcar, são longos episódios muito requintados, bem feitos, mas falta um tempero bem mais forte pra poder movimentar realmente as atuações ás vezes contidas das estrelas Robin Wright e Frank Underwood, House of Cards segue com um brilhantismo estético bem feito, com personagens que ainda nos motivam, mas com toda certeza não é a melhor série de drama desses últimos anos. Por fim nos deparamos com as outras indicações que são os anos de estreia de novos fenômenos da televisão, primeiramente a febre Stranger Things, que eu particularmente acho estranho que uma série do tipo seja indicada para uma categoria assim, ST foi um fenômeno imenso, adquiriu legiões de fãs, se tornou uma das maiores séries da Netflix, isso, aquilo… Mas chega né, muito que bem, um Emmy não merece. ST é totalmente distinta dos outros dramas, The Crown por exemplo (outra produção da Netflix) é provavelmente uma de suas melhores criações, a história da Rainha Elizabeth II em episódios com uma veracidade histórica e dramática sustentam uma série poderosíssima e que abocanhou o Globo de Ouro de Melhor Série de Drama, The Crown é uma forte concorrente por atuações, direção e até mesmo para o prêmio de melhor série de drama, ver ela vencer com certeza seria justo.

O monstro The Handmaid’s Tale

E por fim nos aproximamos ao fim, com três séries muito bem faladas nos últimos tempos que é This is Us, Westworld e The Handmaid’s Tale.

This is Us é uma série dolorosa e encarna o que nós personificamos para drama. A história que discorre por algumas linhas e que todas trazem muito bem o sentimentalismo humano é provavelmente uma das coisas que os envolvidos com a academia americana de televisão gosta, é um drama pesado, mas não cai no senso comum de novelão e sim se torna uma série com uma beleza estética bacana, atuações poderosíssimas e uma direção que funciona muito. Westworld foi um beijo gostoso da HBO. Uma ficção científica dirigida e roteirizada de forma sísmica, com uma importância visual sem escalas, Westworld foi cara, mas pode nos dar um Anthony Hopkins jovem (através de CGI), um roteiro que muitos roteiristas da Hollywood do cinema chorariam em ter, um elenco poderoso e episódios que são provavelmente umas das obras mais lindas da televisão do ano passado. Westworld tem um forte peso em vencer esse prêmio, senão, pelo menos é importante ver que séries de ficção científica vem se tornando cada vez mais presentes nessas premiações e como isso é merecido. E por fim, a surpresa mais incrível do ano, The Handmaid’s Tale, o conto da aia.

Better Call Saul, outra grande série dos últimos anos

Se você ainda não viu a série, só indico que veja, não me privo somente aos aspectos técnicos que são obras primas da televisão, mas The Handmaid’s Tale é uma série para se trabalhar na atualidade, em debates sociais que vêm se tornando cada vez mais evidentes. Posição das mulheres, emponderamento, crises políticas, estado de exceção… Tudo, é uma das gratas surpresas do ano e uma das temporadas mais completas, bem feitas e produzidas que eu já vi na vida.

Independente de quem ganhar, é um ano difícil, afinal temos séries de peso, mas que todas são merecedoras. A cerimônia do Emmy vai acontecer dia 17 de Setembro e será exibido pelo canal pago TNT.

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