Ragnar Lothbrok nos foi apresentado em meio a uma batalha, lutando ao lado de seu irmão Rollo e contemplando, a olho nu, a magnificência de Odin ao levar seus guerreiros para valhala. O personagem se tornaria um símbolo da televisão naquele momento, ao limpar seus olhos e encarar Odin. Ragnar Lothbrok foi o mestre de seu destino que mesmo já sendo conhecido nos registros nórdicos ainda conseguiu ser marcante, como um bom protagonista deve ser.

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Em um caminho desconhecido Ragnar afirma que definiu o curso de sua vida e morte. A lenda Viking afronta os Deuses que um dia já serviu dizendo que eles são invenções de pessoas que tem medo, Ragnar estava a caminho do destino que decidiu traçar depois de conquistar tudo o que sempre almejou. O jovem que decidiu cruzar os oceanos em busca de novos povos e um novo Deus, além de riquezas inestimáveis agora já era uma lenda viva, um mito, assim como os Deuses que já serviu.

Dois metros e meio de altura e que se alimentava de crianças, mas a ultima parte é mentira. Ragnar foi muito mais que um Rei para o seu povo, respeitado e temido, ele abriu caminho para uma série de conquistas que seus filhos, agora os responsáveis pelo legado viking do nome Lothbrok tiveram. Marido e pai, o temido Rei da Dinamarca abdicaria do amor de sua vida para poder procriar ainda mais.

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Bjorn, Ivar, Ubba, Sigurd e o legado de um homem. Quem quer ser Rei, questiona um já velho e cansado Ragnar Lothbrok na metade de sua ultima temporada em Vikings, a procura de um sucessor Ragnar iria ao encontro da morte pelas mãos corretas. É impossível esquecer nas temporadas iniciais do show as referências ao poço de cobras que tiraria a vida do poderoso e temido Viking.

Ragnar escolheu seu caminho assim como escolheu sua fé, um personagem rico demais para se prender a paradigmas religiosos. Amigo de um monge, aquele capaz de se batizar para o Deus cristão só para poder ao lado de seu amigo descansar. Amigo também de um viking fiel que o ama, mas reprova sua falta de cuidado com os Deuses, Ragnar salvaria Floki quantas vezes fossem necessárias. E salvaria muitas vezes seu irmão Rollo, apesar dos pesares.

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Ragnar voou longe demais, conquistou reinos e se tornou seu próprio Rei, negociou com estranhos, levou seu povo para a morte. Um personagem histórico vulnerável a erros como qualquer outra pessoa. Você partiu meu coração, irmão. A vida de Ragnar mudaria nesse momento, ao olhar para suas frotas fracassando, Lagherta, a mulher de sua vida, ao seu lado sendo ferida.

Acompanhar o crescimento de Ragnar Lothbrok é um prazer pouco sentido em produções renomadas, Ragnar errou e foi do céu ao inferno em quatro anos. Se casou, teve filhos, foi feliz e também foi muito ferido pela vida. Foi responsável por uma história que não termina com sua marcante morte em um poço de cobras, Ragnar vai além de Travis Fimmel e sua sensacional atuação.

medium-clean-1Vikings não termina com a morte de Ragnar, mas abandonar a série é uma opção (mesmo que errada) para aqueles ligados demais a imagem do personagem. Ragnar escolheu morrer, escolheu fracassar e escolheu contra quem se vingar. Orgulhoso demais, mesmo sem fé o Rei dos pagãos fez questão de proclamar o nome de seus Deuses nórdicos para Aelle e seus seguidores, grandioso até em seus piores momentos. Ragnar Lothbrok é um dos grandes protagonistas da atual leva de personagens da televisão, maior é o seu mérito por ser uma figura real vinda de histórias que por muitos já foram esquecidas. Foi um homem mestre do seu destino.

E Travis Fimmel merece uma homenagem por dar vida a esse mito nórdico.

Leia também sobre a perda dos personagens que se tornam nossos amigos na TV.

    

Sentirei falta das caras e bocas de Ragnar.

  • Rafa Silveira

    Que texto!