Todos os dias o perímetro da ignorância da raça humana continua a crescer. Desde o acelerar do aquecimento global, do efeito estufa, o desperdício de nossas fontes naturais e a destruição da nossa camada de ozônio até a negação total do pensar, da busca do saber. É interessante pensar como todas as áreas do conhecimento abusam uma das outras, e é notável que a existência dos vários conhecimentos (Religioso, Empirista…) denotem na criação de várias vertentes de respostas, em maneiras diferentes de se conhecer tudo isso ao nosso redor.

Quando nos deparamos com a palavra Ciência muitos podem ver laboratórios equipados, lasers, tecnologia avançada ou grandes cientistas, felizmente a ciência não está somente no nosso conhecimento científico, mas congloba inúmeros outros conhecimentos, fraca em uns, fortíssima em outros. E é a partir do conhecimento e do crescimento dos perímetros da ignorância humana que nos deparamos com a divulgação científica, nascida há muito tempo, mas que ganhou força a partir do século XX, com o astrônomo Carl Sagan. Em Cosmos, Carl chama seus leitores e telespectadores para uma longa viagem e é isso que eu peço também, embarque comigo, vamos conhecer um pouco mais do Cosmos.

Nossa jornada começa na década de 1980. No lançamento do livro Cosmos de Carl Sagan, e no mesmo ano com seu seriado. Se você não conhece Carl Sagan eu aconselho a conhecer, um gigantesco divulgador científico, um percursor em qualquer tipo de divulgação dos trabalhos de agências espaciais e científicas para todos e obviamente uma figura única no século XX, famosa por inúmeras frases e contextos de vida. Carl é considerado um profeta por muitos, mas como o mesmo diz, não é bom venerar nenhum tipo de homem.

Também é em 1980 que o mundo é apresentado a Cosmos, uma série de televisão grandiosa que com certeza modificou inúmeras pessoas, apresentada pelo escritor do livro, Carl de uma maneira peculiar levava seus telespectadores para aventuras mirabolantes, não fictícias, mas científicas. Desde a Grécia Antiga até Copérnico, uma viagem entre a Gravidade, o Movimento e a Energia. Era uma viagem por todo o Cosmos, e como ele estava em todos nós. Somos poeira das estrelas.

E os anos se passaram. Cosmos foi se ultrapassando, sua história também. É em um momento da vida de Carl Sagan que ele conhece Neil (O tal de deGrasse Tyson) e uma pequena amizade surge de pequenos atos. É do garoto que conhecera Sagan e tivera seu livro autografado por ele que vamos falar, de uma figura que levou a mim e a outros inúmeros leitores para viagens pelo Cosmos, como seu “mentor” , Carl Sagan fez. Um homem que continuou um legado.

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Morte no Buraco Negro e Outros Dilemas Cósmicos para um fã de Cosmos e Sagan é um deleite de todas as formas capazes. Escritos pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson, famoso não só por ser um grande percursor científico do séc.XXI, mas por se transformar em uma figura de ícone popular. A jornada literária narrada por ele mesmo é tão ampla e enorme que de certa forma te suga. Pra um conhecedor de Cosmos e Sagan pode ser uma sobremesa, para um fã de Neil um grande prato, mas pra quem não teve contato com a Ciência em si é uma porta de entrada prazerosa. Morte no Buraco é um compilado de tudo, do universo, da vida, da ciência, da religião, dos problemas do cotidiano, do universo… É um grande universo em si, que começa falando sobre conhecimento. O conhecimento que todos nós precisamos.

“Não vejo o universo como uma coletânea de objetos, teorias e fenômenos, mas como um imenso palco de atores impulsionados por intricadas reviravoltas da linha narrativa e do enredo. Assim, ao escrever sobre o cosmos, parece natural conduzir os leitores para dentro do teatro, até os bastidores, a fim de esclarecer aos seus olhos como são os cenários, como os roteiros foram escritos, e para onde as histórias se dirigirão a seguir. A minha meta é transmitir a essência do funcionamento do universo, o que é mais difícil que a simples condução dos fatos. ao longo do caminho surgem, como para a própria representação dramática, momentos de sorrir ou franzir as sobrancelhas, quando o cosmos assim o exige. Surgem também momentos de ficar apavorado, quando o cosmos requer essa reação. Por isso, penso em Morte no Buraco Negro como um portal do leitor para tudo o que nos comove, ilumina e aterroriza no universo” 

Neil que também é apresentador de Cosmos: A Spacetime Odyssey, uma remasterização da série da década de 80 seguindo também o legado de Carl, ilumina e transborda de criatividade a narrar sobre o Cosmos. Talvez um dos aspectos mais notáveis de seu caráter literário seja a informalidade unida a um conhecimento gigantesco. E esse conhecimento equiparado a grandiosidade do Cosmos é de certa forma pequeno, mas não deixa a encantar a pessoas totalmente leigas da ciência. Não precisa compreender como a força física da eletricidade e o magnetismo fundamentam o electromagnetismo e cria-se um feixe de luz, mas precisa ser ávido por conhecimento, desejar compreender, desejar relacionar as coisas ao nosso redor. Neil é um cientista do dia a dia, um homem moderno e que encanta e facilita nossa vida de diversas maneiras.

Separado em diferentes seções, vamos viajar entre elas. Buscar um significado para seus conteúdos e destrinchar cada aspecto de Neil, venha comigo.

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Seção 1: A Natureza do Conhecimento: De pontapé inicial, o livro nos dá uma condição estabilizada do que é conhecimento, com cinco capítulos percebemos do que o livro se trata. Ele não ia explicar a gravidade falando sobre o cálculo que existe nela, nem de um modo chique e repleto de dados inúteis, mas dando uma ênfase da vida que girava em torno da gravidade, da vida que girava em torno da descoberta! De uma maneira visceral e informal, de cara percebemos e aprendemos diversas histórias e maneiras de se compreender o Cosmos

Seção 2: O Conhecimento da Natureza: O estudo do nosso Cosmos. Se há uma maneira de definir essa seção, é dessa forma. O Sistema Solar, a Antimatéria… É encantador toda a dança universal ao nosso redor, é poderoso como as leis são regidas em torno de cada pedaço de asteroide até galáxias e quasares, é Cosmos puro, viajando entre nossos senhores das estrelas.

Seção 3: Maneiras e Meios da Natureza: E Neil retorna para nossas vidas Terrestres. Desvendando todas as sinapses universais da busca do conhecimento de uma maneira extremamente Cosmos: A Spacetime Odyssey, sua escrita nos leva a descobrir diversos aspectos da nossa Terra em relação ao Cosmos, a velocidade, o arco íris, as janelas cósmicas e o plasma cósmico. Conceitos tão científicos e fictícios, mas que são inteiramente verdadeiros e encarnam toda a sua veracidade nada infame para as páginas. Poderoso.

Seção 4: O Significado da Vida: A vida na Terra. Nessa seção caímos de cara em uma jornada para descobrir nós mesmos, a relação da nossa existência ao estarmos aqui, somos poeira à poeira, forjados nas estrelas e aqui que vamos nos acabar. Essa seção quatro talvez seja uma das mais dolorosas no livro, descobrirmos tudo sobre nós mesmos e ainda resta a dúvida, por qual razão a raça humana é tão diferente e ao mesmo tempo igual?

Seção 5: Quando o Universo Se Torna Vilão: A seção mais assustadora de todas. De uma maneira peculiar e de certa forma sarcástica, somos apresentados aos perigos do Cosmos, desde os asteroides que rondam nossas cabeças a qualquer instante, até o perigo dos Buracos Negros próximos à nós. É uma das poucas seções que tem capítulos derivados somente aos Buracos Negros, visto que o título ostenta esse fenômeno como sua principal abordagem, mas foge disso e se torna algo muito maior que a gravidade exercida por um Buraco Negro.

Seção 6: Ciência e Cultura: Prosseguindo com sua informalidade notável, Neil não fala sobre grandes eventos, mas de noções culturais da ciência sobre todo mundo. Desde as probabilidades matemáticas e nossos medos das contas até as condições da escuridão em nossas cidades, o desejo de ver grandes estrelas brilhando, mas com enormes prédios faiscando luz ao seu lado. Finaliza com um capítulo espetacular, destrinchando como a ciência teve um papel fundamental no cinema e como o próprio Neil já brigou com certos diretores por suas incompetências científicas em determinadas obras.

E para finalizar a Seção 7: Ciência e Deus como o próprio nome aponta fala sobre grandes aspectos de abordagem do homem, da ciência e Deus. Das inúmeras perguntas dele como cientista é levado a responder sobre a fé, espiritualidade e ceticismo. De certa forma curta e não mantendo um pensamento dogmático ou preconceituoso, Neil segue muito bem para um fechamento do livro que é grandioso, indiferente sendo um livro fictício ou não.

mortenoburaconegro-capaAutor: Neil deGrasse Tyson

Editora: Planeta

431 Páginas

Preço:R$ 49.90

Tyson embarca em uma jornada tão grandiosa como os épicos literários fictícios, de início embarcamos em uma nave da imaginação científica e temos uma viagem turbulenta, grandiosa e satisfatória. Unidas a um jeito peculiar de se falar, se você já viu Cosmos, leia Morte no Buraco Negro, é um complemento espetacular para a série e em certos momentos você escuta a voz do próprio Neil lendo seu livro. É simplesmente fenomenal.

De forma implícita ou talvez explícita, percebemos as mensagens que seu autor pretende nos passar. Em um de seus vídeos, Neil explica sobre a curiosidade infantil. Talvez novas gerações estejam inflamando no desejo de descobrir, como no século passado onde se animavam com a proposta de ir a Lua, hoje estamos nos preparando para nosso primeiro planeta que é Marte. E embora milhões de jovens já nasçam com essa curiosidade, muitos se privam dela, a descoberta, a curiosidade, tudo isso move a ciência. A ciência é pensar e ter desejo de descobrir aquilo, nem todos estão assim, nem todos estão sendo estimulados. Precisamos olhar para os céus a noite e sentir um desejo de descobrir o que brilha acima de nós, o que tem acima de nós… E acima de tudo encarar que fazemos parte do Cosmos, pequenos ou não. Somos o Cosmos.

Abrace o Cosmos. Sinta o Cosmos. Seja o Cosmos.

Agradecimentos gigantescos à Editora Planeta por ter enviado o livro para o Retalho Club, em uma edição notável e de certa forma inovadora por publicar livros científicos e propriamente do Neil (Já tem Origens) a Editora Planeta exibe todo seu amor por seus leitores e pelos amantes da Ciência.

Link para compra.

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