Como o combustível que lançou o foguete Netflix para os mais densos confins do espaço e a ajudou a brilhar junta a estrelas mais hidrogenadas possíveis, House of Cards é aquele justo combustível caro, bem feito e produtivo em diversos aspectos. Diferente de outros tipos de séries de temática densa ou complexa que descem como um bloco de madeira pela tua garganta, HOC é como a mais peculiar comida que podemos ingerir, requintada, bem feita e recheada de temperos únicos e bons de sentir na boca.

Partindo do principio, o protagonismo de House of Cards é de uma escala estrondosa. Não falo do protagonismo patriarcal do político democrata Frank Underwood, mas dos protagonismos que ao lado de Claire Underwood sustentam a série com ombros largos e recheados de fibra. Como Atlas, o Titã da Mitologia Grega, eles seguram o céu que a Netflix perfura para seu voo.  O show é um drama político, embora tenha certas pitadas de uma investigação jornalística. Extremamente bem ambientada no cenário político dos Estados Unidos ela gira em torno  da vida desses dois protagonistas, que formam um casal único e exemplar em toda essa gama de intelectuais unidos em uma série. O primoroso roteiro de grande parte dos episódios é guiado por um dos protagonistas; Frank Underwood é um político extremamente ambicioso que inicia a série com uma demonstração fria e necessária em todos os sentidos de vida. A quebra da quarta parede constante em todos os episódios é de uma positividade larga, a quantidade de informações, posições e jogadas do personagem que é como um Game of Thrones na casa branca são expostas para nós, seguimos esse personagem, nós  nos captamos a ele. Profundamente bem interpretado pelo grandioso Kevin Spacey, Frank é um justo personagem forte, bruto, que mais se assemelha a monstros das séries de TVs, como Walter White e Tony Soprano. A diferença é que ele veste terno e gravata, além de seu pragmatismo implacável.

O impacto de House of Cards é imediato, de início os episódios podem se tornar uma armadilha de aço entre as mentes do não ambientados com política externa e com sua total separação, mas logo depois a ambientação climática é muito notável, além de ter essa ênfase  extremamente atrativa (pelo menos a mim) por exibir um lado político inescrupuloso, difícil, complexo e amplamente sujo, rasga os patamares de um sentimento interno de uma política somente midiática, mas exibe como a casa branca, o maior palco dos inescrupulosos daquele show não aparenta ser tão branca assim…

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Grandes séries de tv ou streaming carregam protagonismos implacáveis, Claire Underwood brilha e brilha bastante. Ela não é uma mulher de político, tampouco submissa. Ela brilha como uma companheira total de Underwood, Claire não só é uma mulher qualquer que faz tudo que Frank pede, mas ela o faz por amor, e nem todas as vezes é um sempre. Ambos se auxiliam, ambos tem seus ideais e conseguem eles. São inescrupulosos, necessitam de poder e almejam isso por toda a série, além de ser uma relação muito bonita e cativante de se ver, também há a questão de que não há vilões ou bonzinhos, Underwood mais se assemelha ainda mais a grandes nomes que almejam poder não por precisão, mas por uma necessidade da natureza de seu ser. E isso é totalmente chamativo, enquanto Walter White almejava dinheiro por sua família e obviamente tinha seu lado ganancioso de uma vida frustrada, Frank tem essa necessidade de poder e acima de tudo deseja ela, ele quer poder e vai fazer de tudo para tê-lo. A narrativa dessa jornada para o poder é totalmente viável, especialmente chamativa e poderosa e que te prende como uma prisão de ferro bruto.

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Se existe algo bom em séries de tv é o clima, para captar o telespectador precisamos de uma ambientação poderosíssima e pelo menos ao meu ver House of Cards nos traz uma das melhores. Ela foca em uma Washington política, jornalística, midiática e iluminada, como na belíssima abertura exibe há toda uma história por trás daquela cidade e nos faz quase ver Roosevelt, Eisenhower e Kennedy naquelas telas, é uma viagem no tempo de toda a política americana e é interessante notar os detalhes que giram em torno da complexidade política que é, os jogos, os requintes, votações e puros momentos de ouro que Frank, Claire e cia nos traz.

House of Cards é grandiosa, chamativa e adulta, seu clima é notável, as primeiras direções guiadas por David Fincher são impagáveis e todo o protagonismo elementar dos dois personagens dá um toque especial, nos mostra o que é uma série poderosa, quase verídica e profundamente cativante.

 

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