Este artigo contém spoilers

Em 2006 foi anunciado na E3, como parte da compilação Fabula Nova Crystallis, o Final Fantasy Versus XIII, desenvolvido para PlayStation 3, pelo diretor Tetsuya Nomura. Todavia, o jogo passou por diversas mudanças visuais e também da jogabilidade, contando com o acréscimo e substituição de personagens, até chegar no Final Fantasy XV. O jogo apresenta um ambiente de mundo aberto e um sistema de combate semelhante ao de Final Fantasy Type-0 e da série Kingdom Hearts, incorporando a habilidade de trocar armas e outros elementos como acampamento e a direção de veículos.

Final Fantasy XV se passa em Eos, um mundo similar à Terra moderna. A terra conhecida é dividida em várias nações, incluindo Lucis, Tenebrae, Niflheim, Solheim e Accordo. Cada uma, com exceção de Niflheim, já possuíram em algum momento de sua história um cristal que lhes dava um poder político substancial, porém as guerras travadas entre eles fizeram com que todos os cristais fossem perdidos, com a exceção do de Lucis. Esse reino conseguiu se desenvolver em uma sociedade moderna e baseada ao redor da magia sob proteção de seu cristal, enquanto todas as outras nações se tornaram sociedades tecnologicamente avançadas por se focarem no desenvolvimento de armas e máquinas. O Império de Niflheim acabou se tornando o maior inimigo do Reino de Lucis; no começo da história do jogo todo o mundo menos Lucis foi conquistado por Niflheim. No mundo de Final Fantasy XV, pessoas que passam por uma experiência de quase-morte recebem poderes mágicos do Reino Invisível, o reino dos mortos dominado pela deusa Etro. Esses poderes incluem a habilidade de prever a morte de outras pessoas e se comunicar com os deuses, tendo efeitos tanto positivos quanto negativos em qualquer um que os possua. Conhecidos como Oráculos, essas pessoas são as únicas capazes de combater a “Praga das Estrelas“: um fenômeno sobrenatural que ameça jogar o mundo conhecido na escuridão eterna.

Após a tentativa de tratado de paz entre Lucis e Niflheim ir por água abaixo e o Rei Regis ser morto em batalha, passamos a acompanhar a jornada de Noctis Lucis Caelum (protagonista do jogo e herdeiro ao trono),  Gladiolus Amicitia, Prompto Argentum e Ignis Scientia, para encontrar Lunafreya de Tenebrae e fazer com que o casamento da mesma com Noctis aconteça.

Desenvolvimento dos personagens

Um dos desenvolvimentos mais perceptíveis é o de Noctis. No início do jogo se tem a imagem de um príncipe de poucas palavras procurando a maneira certa de fazer as coisas. Enquanto, no final, vemos a imagem de um rei, não apenas aparentemente, como também pelas atitudes. Luna e Regis tiveram o papel de fazer com que Noctis crescesse e estivesse preparado para o que estava por vir. Diferente do Rei Regis, que foi uma grande figura paterna, mais do que um bom rei – já que o mesmo sacrificou seu povo duas vezes para salvar o filho -, Noctis se sacrifica para fazer, não só de Lucis, mas sim do mundo, um lugar melhor. Algo que ajudou deveras no desenvolvimento da personagem foram os testes dos summons (Ramuh, Titan, Leviathan, Shiva,  Ifrit e Bahamut).

Outro personagem envolvente é Ardyn, que aparece como uma figura amigável, enquanto, na verdade, estava esperando o momento certo para acabar com Noctis. O personagem em questão é revelado como Ardyn Lucis Caelum, um antigo eleito ao trono. O mesmo era lembrado como uma pessoa boa e gentil, que tinha como dever limpar o mundo da Praga das Estrelas, feita por Ifrit. Entretanto, neste processo de absorção Ardyn se torna “impuro” e é incapacitado de governar. Como ele passou muito tempo com os demônios dentro de si, acabaram maculando sua mente. Depois de tantos processos sugando as más energias, Ardyn se tornou imortal e desenvolveu grandes poderes. O objetivo da personagem era fazer com que o mundo entrasse em uma escuridão eterna e, junto à isso, destruir o herdeiro ao trono. A última “batalha” de Ardyn é com Noctis, no Reino Astral.

Claro que temos desenvolvimentos magníficos, mas também possuem personagens mal aproveitados, como Ravus. Quando Noctis estava com uma fratura, Regis o levou até Tenebrae, onde o acolheram amigavelmente, para que seu filho fosse curado. Entretanto, o lugar foi invadido por Niflheim e Regis partiu sem ajudá-los – para protejer Noctis. Com isso, Ravus viu sua mãe ser morta por Niflheim e no mesmo instante Regis indo embora sem fazer nada, mesmo tendo poderes para pará-los. Nisso, Tenebrae foi obrigada a se render para seus invasores. Ravus cresceu e se juntou à eles, mas ainda não possuía confiança nos mesmos. A verdade é que Ravus não gostava nem de Niflheim, nem dos Caelum, o mesmo amava apenas sua irmã, Luna. A personagem em questão tinha tudo para ser um vilão com ótimas motivações, mas teve pouco tempo de tela e foi mal aproveitado.

Uma das histórias que mais me impressionou foi a de Prompto, que se revelou mais do que um ótimo fotógrafo e companheiro. Argentum é filho de Verstael, que o usa como objeto de experimento para suas pesquisas. Há muitas teorias sobre Prompto, a época que o mesmo fugiu de Niflheim e sobre sua mãe. Muitos fóruns discutem sobre a possibilidade do personagem ter alguma ligação com Naga, tanto pelos atos da mesma quanto pelas frases que ela vivia repetindo. A Square Enix não contou toda a história direito, o que faz com que diversas teorias sejam criadas.

Trilha sonora 

Yoko Shimomura foi a reponsável pela trilha sonora do jogo. Final Fantasy XV possui canções envolventes, como de praxe de um jogo da franquia. A canção tema é uma versão cover  de “Stand by Me“, interpretada pela banda britânica Florence + the Machine. Ela foi usada em todas as versões do jogo. A canção empregou em sua gravação uma orquestra completa, incluindo metais, cordas e timbales. A vocalista Florence Welch comentou que queria fazer uma contribuição “mítica” para o jogo, também afirmando que “Stand by Me” era difícil de melhorar. Florence + the Machine foi uma de várias bandas que a Square Enix pensou para decidir qual artista tinha seu “próprio mundo único” que se encaixaria bem com Final Fantasy XV. “Stand by Me” não foi pensada para servir como canção de amor no contexto do jogo, mas sim como uma mensagem ou oração de gratidão de Noctis para todas as pessoas que o apoiaram em sua jornada, incluindo Lunafreya, seu pai Regis e seus três companheiros. Além da cover de “Stand by Me“, a banda criou duas canções originais inspiradas pelo mundo e história de Final Fantasy XV: “Too Much Is Never Enough” e “I Will Be“.

Uma história de amadurecimento e amizade

Como dito anteriormente, Regis e Luna se sacrificaram ao máximo para fazer com que Noctis amadurece e estivesse preparado psicologicamente para as escolhas que teria que fazer futuramente. Noct teve o apoio de seus três companheiros desde o começo, e também de outras pessoas, como Iris, e isso ajudou demasiadamente o personagem. A Square Enix resolveu deixar o final de FF sugestivo, onde o jogador interpretará de sua maneira. Muitos dizem que todos morreram no final e ficaram juntos no pós vida – por causa da cena pós-crédito. Ao meu ver, Ignis, Prompto e Gladiolus não morreram, pois isso faria com que o diálogo final perdesse o sentido. Noctis resolveu se sacrificar para que o mundo tivesse um recomeço, onde, esse recomeço ficaria nas mãos dos outros três.

Final Fantasy XV é um jogo cheio de simbologias e, a principal delas, é a ligação entre amizade e amadurecimento, e o quanto essas duas coisas guiam nossas vidas

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