Com grandes nomes no elenco, Feud resgata a nostalgia de Hollywood e exibe de forma crua seus piores problemas e seus dramas mais intensos. 

A vida em Hollywood nunca foi fácil, além de necessitar de  uma força psicológica poderosa para aguentar a pressão que a fama pode trazer, em tempos passados onde atores e atrizes eram mercados (e ainda são) para grandes produtores e empresa é raro encontrar artistas que são vangloriados e nunca passaram por nenhum tipo de problema por conta de serem descartados, humilhados ou esnobados. Pegue Katherine Hepburn, talvez a maior atriz de todos os tempos, a única artista de atuação a ter quatro Oscar, tão esnobada em sua juventude que nunca compareceu a nenhuma cerimônia para receber suas quatro estatuetas, nunca foi capaz disso, nunca sentiu-se com vontade disso. Hollywood é assim, anos de prazeres e amores e em seguida você só ganha dois segundos quando for passar no mural dos mortos do ano na cerimônia do Oscar.

Mas nem tudo é maldade e perdição, é na cidade dos anjos que muitas pessoas não só encontram seus astros, mas encontram-se a si mesmos, sacrificam inúmeras coisas para resgatarem e viverem seus sonhos, mas vivem de forma alegre, aproveitam de forma sublime. Bette Davis e Joan Crawford são exemplos disso: duas atrizes incríveis, ambas vencedoras de Oscar, que tiveram uma carreira poderosa durante o século XX em Hollywood, e que ficaram mais famosas ainda com o conflito entre ambas na produção de O que aconteceu com Baby Jane de 1962 não eram só mulheres briguentas que entraram em conflito por homens, por produtoras ou por fama… Foram vítimas de serem uma mercadoria aos olhos de muitos, e assim viveram eternamente amargas.

Susan Sarandon incorpora Bette Davis.

Feud de Ryan Murphy (um dos maiores produtores e diretores de séries da atualidade) reina em exibir de forma visceral a realidade de Hollywood, o amor, o prazer, o deleite e a fama, e tudo isso acompanhado de um drama conflituoso entre essas duas figuras. Feud inicia quando ambas as atrizes estavam quase no fim de suas carreiras, ambas em uma idade avançada, deixando de só serem o “rostinho bonito” que foram, e segue durante anos a relação dessas duas titãs de Hollywood.

O forte da série não se foca somente em sua direção, ambientação ou roteiro, é óbvio que o pilar fundamental para sustentar uma narrativa que se divide em oito episódios é o conflito. Duas figuras famosas, conhecidas e que se enfrentam de forma afrontosa, seguindo uma linha de emoções e embates calculados e especialmente bem interpretados, e tudo isso é muito auxiliado pelas fabulosas interpretações de Susan Sarandon (Bete Davis) e Jessica Lange (Joan Crawford).

E ambas brilham.

Susan incorpora Bette como um fenômeno da natureza, há vídeos que fazem uma simetria entre vídeos reais da atriz e de Susan e é assustador, é como se o espírito de Bette tomasse conta de Susan sempre que o possível, e o mesmo se repete com a poderosa Jessica Lange que capta todo o drama de uma atriz que foi vítima de muitos, problemática, dramática, vista por muitos só como um rosto bonito, Joan Crawford teve uma vida difícil, e Feud foi sua reviravolta

A série dividida em oito episódios e produzida pelo FX só nos presenteia com uma visão ao mesmo tempo engraçada (há momentos cômicos), de embates (os primeiros momentos de conflito entre as atrizes são fenomenais!) e de um drama carregado de uma tristeza melancólica é completa, direção, roteiro, qualidade sentimentalista e duas figuras eternas e fantásticas.

Obrigado, Ryan, Susan e Jessica, por nos presentarem com uma visão tão única sobre duas forças da natureza de Hollywood.

Rainhas!