Símbolos nascem e vão. Ideologias, razões, conceitos e morais. Conhecimentos, construções. O tempo cria isso, o ser humano cria isso. E o ser humano é encasulado, quando criamos nossas grandes cidades criamos um lar para morarmos, para diversas pessoas morarem. O que é uma cidade? Há um conjunto de pessoas conhecidas ou não, pessoas estranhas a umas e conhecidas as outras, pessoas ruins, pessoas boas. É em um simples momento que tudo muda, é em um assalto em um beco ou a morte de seus pais que tudo vai ser totalmente diferente, as coisas caem, caem na terra. Principalmente corpos, seres humanos. Ele era uma criança! Viveu sob as asas de seus pais, seu mundo. Eles eram seu mundo! Sempre preso nessa vida bem formada, bela, esbelta financeiramente ele criou planos, ele sorriu. E seus pais se foram, minutos? Talvez segundos, uma bala não custa tanto para perfurar. Seu primeiro pilar se fora, seu pai. Sua mãe também se fora, em um beco, escuro, úmido e frio. Ele estava sozinho, não havia mais Bruce Wayne, felizmente.

E Bruce caiu, corpos caem na Terra, Bruce cedeu a tristeza e desesperou-se, como uma criança mimada e então tombou. O trauma modificou aquele garoto, simples assim. E então contemplou seu medo, os morcegos, sombrios, na caverna. Sua queda não foi um dano físico, mas psicológico. Bruce não estava mais sozinho. O Morcego estava lá.

É uma eterna loucura desde então. Sua cidade vivia sob a densidade sombria do mundo, mas como uma caverna, ela tinha seus filhos, filhos de Gotham e da noite. O Morcego não era somente um herói, um vigilante ou um conto para crianças dormirem. Era uma eterna batalha entre Bruce Wayne e o Morcego, o garoto assustado e a faceta da bravura humana. O Batman não era só mais um vigilante, era uma figura cheia de remorso, ódio, tristeza e acima de tudo um desejo altruísta, ele queria a salvação de sua cidade, ele exalava a esperança. Não uma esperança clara, como o seu amigo fazia, com o sol em suas costas e com o significado da paz americana, o Morcego exibia a esperança do homem, de que em momentos escuros, podemos nos erguer. Podemos levantar nossas mãos e lutar, nem sempre com a violência, nem com a brutalidade.

Mas lutar. E é isso que o Morcego nos dá, a luta.

 

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