Westworld brindou com um discurso filosófico movido ao eterno desejo de desvendar as camadas da mente. A psicanálise, a filosofia, até mesmo a psicologia se engendram nesse debate existencialista, o que realmente é uma mente? O que nos faz seres pensantes, biologia, metafísica, todas essas áreas do conhecimento convergem com a realidade. René Descartes já dizia “Penso, logo existo” a maior certeza racionalista é que temos certeza que estamos pensando, logo existimos. São nossas perspectivas. Eu tenho certeza que existo pois eu penso, e eu não tenho total certeza que vocês do outro lado pensam.

E Matrix bomba o cinema com o debate das realidades simuladas, é óbvio que outras mídias já haviam se envolvido com o tema (Além da Imaginação, Cidade da Sombra, até mesmo Neuromancer de William Gibson), mas Matrix com todo o seu estilo narrativo da grande massa atraiu toda uma legião de fãs que talvez não eram tão ligados ao tema ou até mesmo não o conheciam.

O que caracteriza um debate de uma realidade, afinal o que é uma realidade? Todos os dias acordamos, vivemos, e um dia iremos morrer. Pensamos, temos pessoas ao nosso lado, temos uma sociedade ao nosso lado e o salto existencial de nós mesmos programarmos outras realidades é usual, The Sims, Second Life, até mesmo a nova tecnologia de VR, todas essas tecnologias bebem de realidades programadas por nós mesmos, se nós chegamos ao ponto de programar realidades, como podemos distinguir se vivemos em uma realidade simulada ou não?

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Todas as leis que nos regem giram em torno de uma programação, desde as leis da física descobertas por Newton até a preposição do físico  Jim Gates: As soluções de supersimetria na teoria das cordas equivalem ao famoso Ctrl+Z. Desde a alegoria da caverna de Platão até Westworld, somos bombardeados de dúvidas e filosofias sobre a realidade a qual vivemos, se analisarmos o tempo tecnológico e como foi o grandioso salto da tecnologia do passado até hoje nos surpreendermos em perceber a grotesca força que um pequeno pen drive que armazena 18gb tem. Estamos criando um mundo de dados, uma verdadeira Matrix.

E nos é lançado Westworld, figurões robóticos em um mundo simulado, criando suas próprias lendas, mitos e religiões. Formando conceitos, se perguntando de suas existências. Nós somos a Dolores, que de início tem sua monotonia diária, não importa se você acorda todas as manhãs, trabalha e volta pra casa ou partiu em uma viagem insana pelas estradas do Brasil em uma kombi colorida. Você continua tendo a monotonia, se é rico, se é pobre.

O que o filosófo Nick Bostrom propõe é um trilema extremamente bem construído sobre a realidade simulada a qual vivemos, propondo que uma civilização pós humana (ou extraterrestre) com uma tecnologia extremamente bem evoluída (ao ponto de formar uma realidade parcialmente complexa) segue três preposições.

  1. Não serem capazes de construir uma realidade simulada com mentes conscientes dentro dela, um computador não seria capaz disso.
  2. A probabilidade dessas civilizações pós humanas de gastarem sua tecnologia e tempo para simularem ancestrais do passado (Nós) também é bem próxima a zero.
  3. Todas as pessoas que estão vivendo em uma simulação experimental a essa e desejarem ficar é bem próximo a um.

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Como Matrix nos mostrou, o sonho, o mundo simulado é extremamente deleitoso para certos personagens que deixaram ele. O Westworld é angustioso, um parque violento, mas para um ser humano sem qualquer tipo de emoção ou sentimentalismo por uma daquelas criaturas realmente importa se ela morre ou não? Logan (Ben Barnes) é o exemplo mais forte daquilo, ele mata, faz sexo, o Westworld pra ele é um mundo de diversão, ele não sente nenhum tipo de afeto por aquelas criaturas. Ele é um Deus entre aquelas figuras.

Logan e outros personagens conscientes naquela realidade simulada não desejam partir de lá, esse fato comprova a terceira preposição. Se conseguimos construir uma realidade simulada parcialmente complexa não iríamos sair dela, ela seria deleitosa demais para queremos escapar dela, entraríamos em um estado eterno de descanso e mentiras, há uma chance de 1 em um bilhão de não estarmos em uma realidade programada.

O futuro de Westworld está tão distante assim? De forma alguma. Pensamos se estamos vivendo em uma realidade simulada ou não, se é uma Matrix ou não. Mas já estamos, eu mesmo estou ao escrever esse texto. Estamos eternamente grudados nos nossos celulares, televisões, computadores e aparelhos que nos auxiliam no dia a dia, você é o mesmo em suas redes sociais? Nós não precisamos provar se estamos vivendo numa realidade simulada ou não, já vivemos em uma, desde os nossos jogos até nossas caricaturas virtuais, desde nossos sonhos até os perigos da virtualidade.

Procure erros, identifique-os, escolha a pílula vermelha.

 

 

 

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