Baseada no  best seller de mesmo nome de Neil Gaiman, American Gods marca o ano como uma de suas melhores produções até o momento e entrega uma temporada inicial completa em todos os sentidos.

American Gods, poster da primeira temporada.

Hoje em dia é quase surreal encontrara algo novo. E isso se torna cada vez mais difícil quando roteiristas, escritores e diretores nascem e morrem (não só biologicamente) a cada instante, histórias, ideias, planos, é como se uma grande teia mundial e conectada se unisse nesse intuito tempestuoso de criar novas ideias, e um conceito de Sandman, obra prima de Neil Gaiman pode ser muito bem utilizado aqui é a biblioteca das ideias, um local sagrado onde as ideias e os planos de muitos são levados e abandonados. O que vemos em American Gods não é abandono de ideias, é a extrapolação delas.

Séries policiais, investigativas, mistério, romance e até mesmo drama, você pode contar nos dedos as séries realmente originais, assim American Gods ao meu ver marca um início fantástico do que podemos chamar de original. Não só em termos de roteiro, em sua história principal, mas na própria identidade visual repleta de conceitos realmente pulados de uma história escrita e esteticamente estonteantes, se um dos pontos altos de uma série como Game of Thrones é sua produção, o ponto alto de American Gods é justamente a sua originalidade.

Ore muito

E toda essa originalidade escapa da sublime mente de Neil Gaiman, roteirista renomado e escritor de quadrinhos e romance exímio, o autor especialista no ramo da fantasia urbana cria como universo onde o mais importante é acreditar. E é um tema constante da nossa humanidade, no primeiro instante que o primeiro homem teve a noção de ambiente e pode perceber fenomenos ele pode ter atribulado esses fenomenos à algo além dele, explicações vem e vão e assim o mais importante é acreditar, nessa fé que surgem os deuses, divindade representativas dessas forças. E pelo visto TODOS os deuses existiram, figuras famosas, conhecidas, das mitologias gregas, nórdicas, africanas, etc e para um deus continuar exercendo poder ele precisa ser cultuado.

O que acontece com um Deus quando não cultuado? Enfraquece, e assim novos deuses vão surgindo. O culto nem sempre é consciente, assim, os chamados American Gods são as entidades representativas de coisas que nem sempre atribulamos algo místico, mas que sempre estamos cultuando. Como a tecnologia e a mídia, assim, American Gods vai contar a história de Shadow Moon, um presidiário que prestes a ser solto da cadeia recebe a notícia da morte da sua esposa, e então solto conhece o Mr. Wednesday, um homem velho e misterioso que o contrata para um trabalho peculiar, assim Shadow e esse homem misterioso embarcam em uma louca jornada pelos patamares da América e seus principais deuses.

Bilquis

A problemática de American Gods habita justamente nesse ponto, a dúvida. Shadow Moon é um homem normal, com uma história dolorosa, mas que embarca nesse mundo de divindades, forças, entidades e tudo isso vem de forma extremamente rápida e com muita precisão nos detalhes, não é algo de se entregar de bandeja, American Gods é perfeita em detalhismos e representações bastante duvidosas e espetaculares de suas personagens e ações, se essa é uma história difícil e que na literatura é extremamente rápida e incostante, tempos diferentes, personagens diferentes, momentos diferentes vão pra lá e pra cá em questão de páginas com toda certeza seria algo difícil de se adaptar, só os excelentes Bryan Fuller e Michael Green conseguiriam visualmente trazer uma série poderosa como essa. Talvez no piloto seja outra linguagem, grandes closes, uma fotografia quase nebulosa, planos não tão óbvios, seu início instiga de cara e em seus oito episódios embarca em algo insano.

Os personagens são bem escritos, representados e com sacadas extremamente inteligentes e originais. Como a Deusa da mídia que sempre aparece caracterizada de uma figura importante, cultuada todos os dias na frente das televisões, essa incrível personagem (interpretada por outra Deusa chamada Gillian Anderson) surge como David Bowie, Marilyn Monroe, etc, ou até mesmo o mistério que permanece em algumas representações, perguntas não respondidas. American Gods saúda os deuses do passado e traz conceitos muito originais para os nossos cultos do presente, um ponto não tão evidente, mas que é importante frisar é a maneira que contextos políticos e sociais vão aparecendo lentamente, Bilquis é uma deusa do passado da sexualidade feminina, do ciclo e que com o advento do machismo e da segregação de gêneros foi perdendo seu poder, um momento marcante onde uma divindade Arábica, o Jinn tem uma relação sexual com um dos protagonistas também seguidor das religiões Islâmicas, um forte discurso sobre o racismo americano vindo de Anansi, uma divindade africana e o Deus Romano Vulcano, um deus do passado, mas que ainda manteve seu poder nos EUA por ser uma nação justamente de sua principal representação, as armas. E de certa forma sintetiza toda a realidade política, social, filosófica e bem, de todos os aspectos, os deuses ainda são cultuados, outros deuses.

Você adivinha quem é o Sr. Quarta-Feira?

DEUSES SÃO REAIS SE ACREDITA NELES.

OBS: Eu sei que ficou saturado, mas é sempre bom lembrar!

OBS2: Gillian Anderson, que mulher!

OBS3: O elenco tá bem, hein, não tem vergonha alheia em momento algum!

OBS4: Bryan Fuller é responsável por Hannibal, aí que se dá a beleza da fotografia

OBS5: A Segunda Temporada de American Gods retorna em 2018 novamente pela Amazon Prime.

Que tal honrar nossa deusa e ir ver Deuses Americanos AGORA!

 

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