“Estou a um passo da presidência, e nenhum voto foi feito em meu nome. A democracia não é tudo o que dizem.”

A segunda cruzada de Frank Underwood em House of Cards é a pura jornada do poder. Guerreando contra seus inimigos, ouvindo as óperas e calculando cada passo, encarando cada objetivo e finalizando cada jornada rumo ao poder.

Frank inicia sua jornada com sua vice presidência, ele conseguiu o que queria. E começa assassinando, lançando uma garota na direção de um trem, tal garota que o ajudou, tal garota que compartilhou uma cama com o mesmo e como uma folha ao vento ele a lança para a morte. Toda ação tem sua reação, a terceira Lei de Newton nos avisa isso, mas o belo é o paradigma de como a morte tem suas reações, o amigo da garota investe em uma pesquisa, ele está ávido para revelar ao mundo quem Underwood é. E não consegue, como sempre o grande burguês, político ou poderoso chefão vence. E Frank venceu também.

Mas há outro chefão, é um amigo do presidente, toda a temporada os episódios nos entregam isso. De lá e cá temos uma relação política com a China, que ás vezes até foge da nossa sanidade, mas o encantador do combate é a frieza, como a Guerra Fria no passado nos mostrou, guerras são feitas com decisões e palavras, a URSS não precisou enviar um míssil para os EUA para causar uma guerra, Frank Underwood faz o mesmo, programa, aceita, desvia e então ataca, ele é um gênio, brilhante e ao mesmo tempo um individuo inescrupuloso sem escalas.

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Essa guerra fria criada por Frank é de um pragmatismo implacável, o conflito não totalmente direto é exemplar e o roteiro investido nessa segunda temporada é poesia política pura, é grandioso, eloquente e ao mesmo tempo uma união tão moderna, mas cheia dos cenários políticos passados. Da qualidade de mudanças de eventos, House of Cards nunca decepciona, é sempre tão fluida e com personagens tão imensamente fortes que ela beira a uma Breaking Bad política, com mudanças rápidas, sem delongas e é claro toda a genialidade nutritiva de uma história poderosa.

A temporada não foi somente de Frank, Claire brilhou muito, ela estava ao lado de Frank o tempo todo e também apresentou seus dramas mais pessoais e com uma jornada para o término da temporada tão poderosa e larga e com um desfecho memorável, esse segundo ano de HOC é brutal, transcendente e nada primitivo.

Frank chega ao poder, arrisca tudo em uma carta só. Ele vence, estava perdendo, mas o jogo virou.

E agora a democracia morrera, a presidência está nos seus pés.