A nostalgia criada por Stranger Things sobre o anos 80 é algo que ninguém pode negar, além das relações humanas que a série reforça muito bem e todo o tipo de referências a melhor década de todos os tempos, ST (irei me referir a série dessa maneira) força algo de uma maneira única e belíssima que é a amizade mais pura e inocente que possa existir, entre esse grupo de garotos que se envolvem com a trama sobrenatural. Além de ser totalmente puxado de filmes como Conta Comigo, Os Goonies e outros clássicos daquela década, ST puxa algo que autores como Stephen King tratam muito bem: A bela relação entre o sobrenatural, o fora do comum e como isso afeta na vida humana.

Stranger Things narra a história em torno do desaparecimento do jovem Will, um garoto que fazia parte de um grupo em uma cidadezinha local de amigos. Para um nerd da vida real é um sentimento fortíssimo ver aqueles garotos jogando RPG, conversando sobre o universo Tolkien e citando referências tão bem vindas aos ouvidos, o grupo de garotos é o núcleo infantil e como qualquer filme dos anos 80 são os que tem maior contato com as peripécias do sobrenatural, que desvendam os mistérios e se relacionam mais amplamente com o fora do comum. Will, Mike, Dustin e Lucas formam esse grupo de nerds que por longas horas se envolvem em aventuras de RPG, e em certa noite quando Will retornava para casa ele desaparece totalmente, sem deixar vestígios. Wynona Ryder interpreta a mãe de Will que juntamente com David Harbour, o xerife local também inicia uma rede de investigação pelo desaparecimento do seu filho, é quase impossível não falar de como Ryder está excelente em seu papel e carrega a sua atuação com o dramatismo de uma mãe sem o filho.

De todos os conceitos que Stranger Things traz com referências a Stephen King, cultos a Steven Spielberg, Arquivo X, Twin Peaks e todo o tipo de material da cultura pop dos anos 80 (é um pouquinho dos anos 90), ST reforça o conceito de amizade e relações de uma maneira excepcional. Após o desaparecimento de Will, os garotos rapidamente começam a se arriscar para encontrar seu amigo, é raro ver esse tipo de relação hoje em dia visto que as séries de maior poder são massas de discursos de como a raça humana é ambiciosa, maléfica e que cria conspirações para sempre pisotear o próximo, mas ST não se preocupa em mostrar realidade, isso é puro anos 80 e também tem originalidade, é uma amizade única e que sai das camadas usuais da série para ter o contato com o sobrenatural, esses garotos movem a série, é através das personalidades de cada um que o telespectador se prende nas personagens e obviamente fica preso a série. E então surge Onze, uma garota perdida em meio a chuva e com o decorrer da série somos enxurrados com uma dezena de cenas fofas entre um amor inocente entre o jovem Mike e a esquisita garota, além de questões fortes como a cisão entre alguns dos garotos e após a conciliação, é uma amizade única e com todo o direito de brigas e a união desses laços novamente.

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A amizade belíssima das crianças

Além desse laço entre as crianças e a novata onze, também temos os dramas de uma mãe que está com o filho desaparecido, além da interpretação convivente de Ryder temos toda uma tensão humana em Stranger Things e essa tensão humana é constantemente baseada na programação de filmes e séries dos anos 80 onde o sobrenatural estava lá, mas a humanidade ainda permanecia entre os indivíduos. Há sim um plot nefasto, repleto de segredos sobrenaturais e conspirações do governo, mas também existe a vida mundana, a compreensão tão singela e única que é a raça humana e como essas relações influenciam nas decisões.

No término do episódio 3 eu vivenciei umas das cenas mais belas de toda a temporada, talvez de todas as séries que eu vi, que é quando encontram supostamente um corpo em um corpo d’água próximo e a personagem de Wynona, Joyce vê uma criatura saindo da parede de sua casa, com uma tema profundamente triste e com Mike supondo que o corpo seja de Will acompanhamos uma relação de filho e mãe, quando Mike chega em casa e abraça sua mãe e quando Joyce encontra Jonathan, seu filho mais velho e o abraça também. É belíssimo ver como em todo o cenário sobrenatural os criadores, roteiristas e produtores optaram em ao invés de forçar as subtramas sobrenaturais, mostrar algo que é mais forte, a relação humana diante tudo aquilo e por toda a série podemos ver isso.

Em meio a uma era da televisão onde os dramas são fortes, em grande parte adultos e tendem a serem excessivos em conteúdos da verdadeira matriz humana como o sexo, a matança e as desavenças, Stranger Things é tão inocente quanto as crianças que a fazem, piadas sobre pum? Qual é o problema? Dramas de uma adolescente e seu namorado? Qual é o problema?! Stranger Things é uma viagem pelo tempo, é um amor puro e extremamente doce, é aquele tipo de bebida que não é adulta, é algo da infância e que alguns até podem te zoar por bebe-la, mas é boa do mesmo jeito, doce como morango.

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