Quando falamos do conceito de super herói, talvez um sentimento popular imagine homens e mulheres, com trajes coloridos, enfrentando criaturas monstruosas e protegendo a humanidade. Superman, Homem Aranha, Batman, Mulher Maravilha ou Homem de Ferro são ícones disso, em quadrinhos mais “claros” temos essas figuras cruzando os céus, por entre os prédios, salvando as crianças de atravessarem uma rua perigosa ou tirando o famoso gatinho da árvore. Para outros materiais temos a total complexidade dessas figuras, que nos salvam, representam conceitos humanos e obviamente integram um sentimentalismo muito forte, tem toda uma psicologia por trás das capas coloridas, vigilantes noturnos e voos pelas cidades. A personagem chamada de Jessica Jones é um ícone de como ás vezes isso não pode dar certo, por qual razão uma pessoa perfeita, com poderes, trajes, desejos de heroísmo e um trauma psicológico não pode se transformar em uma super heroína?

Jessica Jones nos quadrinhos também foi chamada de Safira, uma super heroína que chegou a participar até mesmo dos Vingadores. Após um trauma com o vilão do Demolidor, Killgrave, ela deixa de ser essa fantasiada e passa a se tornar uma investigadora, uma detetive particular mais precisamente. Essa ascensão ao poder e então sua queda são muito bem narradas, com todo um trauma psicológico nas suas revistas adultas, a Alias. Na série produzida pela Netflix temos uma personagem em uma Nova York quase noir, essa Jessica tem seus poderes, os usou em determinado tempo, mas como nos quadrinhos após conhecer Killgrave ela deixa de ter todo aquele sentimento de heroísmo na pele e passa a empregar sua tarefa de investigadora, Jessica é uma personagem única, não é uma machona, mas é uma total badass. Ela bate em todos como qualquer personagem masculino, bebe bastante e é claro é uma mulher forte, quase inescrupulosa que em seu maior estilo Charlie Harper transa com certo personagem pela lábia. Eu não falo dessas características, como se Jessica fosse obrigada a imitar esses personagens masculinos, mas a televisão focou tanto em eventos assim que somos obrigados a notar os pequenos pontos de crescimento de personagem, e que pontos. Jessica não é só uma investigadora badass, e tampouco somente uma personagem feminina de força. A questão de Jessica é mais complexa, ela é uma lutadora.

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Como qualquer outro ser humano normal, um camponês que descobre que tem o poder de deuses, que no caso de Jessica é a super força em maior parte busca uma razão para aquilo, como qualquer super herói ela busca em usar aquilo para fins positivos. Como o Superman que cai a Terra e ganha seus poderes se vê solitário, um ser poderosíssimo entre formigas e necessita usar isso para proteger essa humanidade que é fraca contra seres como ele. Enquanto o Capitão América é um patriota humano, com seus poderes ele busca utilizar toda a sua força contra qualquer tipo de maldade que busca a morte, Jessica não é diferente, ela tem esses poderes, ela é adulta, ela tem força de vontade! Mas há empecilhos, Killgrave é um deles. Logo de cara, quando Jones tenta usar seus poderes para a bondade ela é surpreendida por Killgrave, que também tem poderes e ele sim não sabe o verdadeiro conceito de bondade.

Jessica tem uma curva dramática excelentíssima, se analisarmos esses pontos heroicos e as cruzadas do destino que a personagem busca, nos deparamos com um roteiro de personagem extremamente bem feito. Essa ascensão e queda, unida ao retorno de Killgrave e a reconciliação com seus poderes nos traz uma personagem inovadora, única e forte.

Ao término de Jessica Jones, em seus 12 episódios, JJ dá impressão de que haverá uma nova jornada heroica na sua vida. Por toda a temporada sentimos o drama do heroísmo e agora finalmente teremos ele. Jessica vai vestir seu traje azul e branco e tingir os cabelos de rosa? Com toda certeza, não. E isso é bom. Jessica Jones é uma investigadora com poderes, ela não precisa voar entre prédios para mostrar que é uma heroína, temos heróis do nosso dia a dia. O homem que resgata o cão da chuva, a mulher que oferece um casaco para um morador de rua, a criança que divide sua comida com alguma outra necessitada. Nenhuma delas usa capa, e Jessica também não.

 

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